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Velho raciocínio » "Educação pública não tira nem dá voto no Brasil", diz Raul Henry à revista Veja

Tércio Amaral

Publicação: 09/12/2013 09:44 Atualização: 09/12/2013 11:00

Projeto de Lei de Responsabilidade Educacional deve ser apresentado na Câmara Federal na próxima semana. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A. Press
Projeto de Lei de Responsabilidade Educacional deve ser apresentado na Câmara Federal na próxima semana. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A. Press

Cotado como vice numa eventual candidatura do PSB ao governo de Pernambuco nas eleições de 2014, o deputado federal Raul Henry, do PMDB, defende uma “revolução” na educação brasileira. Além do seu projeto da Lei de Responsabilidade Educacional - que tira os direitos políticos dos governantes que entregam a educação em piores condições do que encontrou, o peemedebista defende mudanças nos cursos superiores de pedagogia, que para ele, “são ideológicas e teóricas no lugar de ensinar a ensinar”. Raul Henry também destaca os problemas do Plano Nacional de Educação (PNE), no Congresso, e sinaliza que há indícios de corrupção no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundeb). 

Confira os principais trechos da entrevista

Projeto de Lei da Responsabilidade Educacional

Historicamente, educação pública não tira nem dá voto no Brasil. Isso porque a grande maioria acha que, desde que não faltem uniforme, material e merenda, está tudo muito bem. Uma pesquisa do MEC chama atenção para essa visão limitada sobre o que se passa de verdade nas escolas brasileiras. Os pais dão nota 8.5 para o ensino oferecido aos filhos. Isso mesmo: segundo eles, estamos entre os melhores. Infelizmente, o eldorado não resiste a uma consulta ao ranking mundial. O último saiu na semana passada, e mostra o Brasil em queda: era o 53° da lista: agora está em 57° entre 65 países. Mas o brasileiro continua sendo generoso ao avaliar a educação - e, se está tão satisfeito, não vai fazer pressão por mudanças. Por isso, precisamos de um estímulo de fora, institucional, para garantir pelo menos o mínimo: que não voltemos atrás.

Punição para o governante e não para os gestores das escolas

Ouvi as cabeças mais lúcidas do país sobre o assunto, todas radicais na defesa da meritocracia. e mesmo elas concordam que, neste momento, instaurar um sistema de responsabilização tão severo sobre a escola poderia espantar das redes de ensino não só os maus profissionais, mas também os de alto nível. Essa é uma discussão complexa, que esbarra no corporativismo sindical. Se partisse para um texto muito rígido, não teria chance de ir adiante. Pensei, portanto, em algo realista, viável do ponto de vista político, e que contribuísse para forjar, em alguma medida, uma nova cultura no país.

Oposição ao projeto

Os sindicalistas, uma parcela da academia e o governo. Numa discussão sobre o projeto, o secretário do MEC Binho Marques se dirigiu a mim e disse: "Deputado, o senhor deveria receber uma medalha por sua paixão pela educação, mas está na trilha errada".

Falta dinheiro para a educação no Brasil?

Investimos 5,8% do PIB em educação, o que não é pouco, mas, em valores absolutos, não chega a um terço do que países da OCDE destinam às escolas. Em outras palavras, acredito que, sim, dinheiro pode ajudar em algumas frentes - como aumentar o salário inicial do professor para que a carreira se torne mais atrativa aos bons alunos. Hoje. são os piores estudantes do ensino médio que, sem chances de entrar num curso mais disputado, como direito ou medicina, acabam nas faculdades de pedagogia. Mas mexer apenas no salário não basta, e isso a experiência internacional já mostrou. Jovens talentosos só vão optar pela docência se enxergarem nela bons desafios, oportunidades de crescer intelectualmente e um ambiente favorável ao mérito. Isso ainda é raridade no Brasil.

Mudanças nos cursos de pedagogia

Sem dúvida. Elas são teóricas e ideológicas no lugar de ensinar a ensinar. O governo federal poderia ajudar a mudar essa velha mentalidade, o que se eximiu de fazer até então. O ministro Mercadante, que está muito mais preocupado com a política eleitoral do que com a educação, diz que é difícil: que as universidades têm autonomia e não dá para mexer nesse vespeiro. Mas dá, sim. O governo tem seus instrumentos. Aliás, está aí um exemplo em que mais dinheiro não resolve nada. Precisa mesmo é de vontade política. Também acho que podemos fazer muito mais com o que já temos em caixa. É triste, mas nem sempre os recursos no Brasil chegam ao lugar a que deveriam chegar.

Gestão dos recursos do Fundeb

A Controladoria-Geral da União apurou que. no ano passado. 17% dos recursos do Fundeb foram descontados na boca do caixa, em dinheiro vivo. É um indício fortíssimo de desvio. Só para lembrar, estamos falando do fundo destinado à educação básica, essa mesma que. entra ranking, sai ranking, rasteja diante dos outros países. O pior é que o governo continua a sustentar que vai tudo bem. pintando em seu discurso ufanista um retrato fantasioso.

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