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Solenidade » Comissão da Verdade apresenta documentos oficiais sobre autoria da bomba no aeroporto dos Guararapes Também será entregue a certidão de óbito retificada de Odijas Carvalho

Publicação: 06/12/2013 10:03 Atualização:

A Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara (CEMVDHC) apresenta, nesta terça-feira (10), ao governador Eduardo Campos (PSB), em solenidade na sede provisória do Palácio do Governo, documentos dos órgãos de segurança pública, datados de 1970, sobre o episódio da bomba colocada no Aeroporto dos Guararapes. Eles desmentem a versão oficial de que os culpados teriam sido o ex-deputado federal Ricardo Zarattini e o professor EdinaldoMiranda. Maria Lucila Bezerra (socióloga e viúva de Edinaldo) e Zarattini participam do evento.

“Estes documentos comprovam a inocência destes dois homens. A Comissão Dom Helder vem a público ratificar a grave violação dos direitos humanos praticada pelo Estado que produziu material inverídico culpabilizando e punindo inocentes. O Estado tinha conhecimento da verdade e permitiu, por exemplo, que Edinaldo fosse preso, torturado, processado e condenado. O ato da CEMVDHC tem grande importância para o restabelecimento da verdade na  historiografia pernambucana e brasileira”, diz Fernando Coelho, coordenador da Comissão Dom Helder.

Durante o encontro,a CEMVDHC também entrega ao governador e parentes de Odijas Carvalho de Souza a certidão de óbito retificada com a verdadeira causa da morte do líder estudantil: homicídio por lesões corporais múltiplas decorrentes de atos de tortura, emitido no Cartório Registro Civil da Graça 60 Distrito Judiciário da Capital (Recife). O pedido de retificação foi encaminhado à justiça, em julho 2013, por meio dos membros da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, que representam a economista Maria Yvone Loureiro Ribeiro (que foi casada com o estudante). Odijas morreu em 08 de fevereiro de 1971, nas dependências do Hospital da PMPE, no Recife. O atestado divulgado durante a ditadura indicou embolia pulmonar, ou seja, morte natural, assinado pelo médico Ednaldo Paes Vasconcelos.  O caso dele é um dos 51 que compõem a lista preliminar de mortos e desaparecidos políticos pernambucanos e que são alvo de análise da CEMVDHC. A viúva, Maria Yvone Loureiro participa da cerimônia.

Líder estudantil de Agronomia da Universidade Rural de Pernambuco, natural de Alagoas. Militante do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário). Odijas foi preso na Praia de Maria Farinha, no município de Paulista, em Pernambuco, em 30/01/1971, juntamente com Lylia Guedes.  O assassinato foi denunciado a partir de testemunhos em depoimentos prestados na Auditoria de Guerra da 7ª Região Militar, inclusive o da viúva, Maria Ivone de Souza Loureiro. O ex-preso político Mário Miranda, uma das testemunhas oculares do assassinato, denunciou as torturas, na sede do DOPS-Recife, que culminaram com a morte de Odijas. Ele foi enterrado no Cemitério de Santo Amaro, na capital, sob o nome de Osias de Carvalho Souza, e não Odijas, o que dificultou a localização do corpo.

Bomba no aeroporto

Ocorreu em 25 de julho de 1966, quando uma bomba explodiu no saguão do Aeroporto dos Guararapes matando Edson Régis de Carvalho (secretário de Governo e jornalista) e Nelson Gomes Fernandes (almirante reformado). Outras 14 pessoas saíram feridas na explosão. O alvo principal do atentado seria o general Arthur da Costa e Silva, então ministro do Exér­cito e candidato à sucessão do general Castelo Branco. O militar acabou escapando da emboscada, por ter desembarcado na Paraíba.

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