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São Paulo » Aloysio Nunes recebeu sugestão de lobista investigado no caso Alstom

Agência O Globo

Publicação: 05/12/2013 13:36 Atualização:

Um email entregue por uma ex-secretária de Jorge Fagali Neto à Polícia Federal (PF) mostra que o consultor, investigado pela Polícia Federal como intermediário no pagamento de propinas para a empresa Alstom, fez sugestões ao atual senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) sobre como proceder no setor metroferroviário. A informação foi divulgada nesta quinta-feira pelo jornal O Estado de S.Paulo. Uma destas sugestões, de buscar financiamento externo para o Metrô, foi concretizada depois que Aloysio Nunes assumiu a Casa Civil do governo do estado, na gestão Serra.

A correspondência é de 26 de setembro de 2006, ano eleitoral. Naquela época, Aloysio Nunes era secretário do prefeito Gilberto Kassab. A cinco dias da votação, Serra aparecia em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais. Fagalli Neto foi secretário de Transportes no governo de Luiz Antonio Fleury Filho, que tinha Aloysio Nunes como vice e havia acumulado o cargo com a Secretaria de Transportes no início da gestão. O irmão do consultor, José Jorge Fagali, foi presidente do Metrô no governo Serra.

Em depoimento à PF, a secretária Edna da Silva Flores disse ainda que Ferreira tinha contatos quase diários com o consultor Arthur Teixeira e com o irmão dele, já falecido, Sérgio Teixeira. Arthur Teixeira também teve bloqueado dinheiro de uma de suas consultorias, a Procint.

Documentos encaminhados ao Brasil pelo Ministério Público da Confederação Suíça mostram que Fagalli Neto movimentou cerca de R$ 28 milhões entre 1997 e 2007 e boa parte do dinheiro transitou por uma conta dele no Banco Safdié, em Genebra. Nesta conta, Fagali Neto tinha como procurador o consultor José Geraldo Villas Boas, controlador da empresa Taltos, uma das consultorias que recebeu dinheiro da Alstom e é investigada por intermediar o pagamento de propinas.

Fagali Neto também era procurador de Villas Boas numa conta do Banco UBS, na Suíça. Apenas entre agosto e setembro de 2003, ele movimentou US$ 10,5 milhões num banco de Genebra e 211 mil euros. Os valores foram considerados incompatíveis com a função de funcionário público em estatais brasileiras.

As movimentação financeira entre contas de Fagalli Neto e Villas Boas foram mapeadas pelo Ministério Público da Confederação Suíça. Fagalli Neto aparece ainda no inquérito do Ministério Público suíço como representante de três fundações privadas no exterior: Andrius e Lenobrig, em Lichtenstein, e Niton Foundation, no Panamá. É também representante da offshore Woler Consultants, no Panamá.

Fagali Neto teve US$ 6,568 milhões bloqueados na conta do Banque Safdié pela Justiça Suíça. No depoimento ao Ministério Público de São Paulo, em 2008, Fagali Neto negou que tivesse contas no exterior. Ao GLOBO, o advogado de Fagali Neto, Belisário dos Santos Junior, disse que as investigações foram iniciadas há cinco anos e que ainda não há provas sobre culpa de seu cliente. Ele não comentou as contas na Suíça.

O senador Aloysio Nunes afirmou que ligar o email que ele recebeu de Fagali Neto à Alstom é uma "coisa sórdida". Segundo ele, Fagali Neto é seu amigo de muitos anos e atuou em empresas como Eletrobras, Cesp e Correios.

"A especialidade de Fagali Neto é financiamento internacional. Ele estava acompanhando a campanha e viu que Serra daria prioridade a projetos em andamento, mas que não havia recursos. Havia projetos já em andamento e ele ajudou muito a conseguior a aprovação no Banco Mundial e no Banco Interamericano. A linha 4 foi a primeira linha de metrô que o Banco Mundial financiou em toda sua história e isso é algo a ser comemorado", disse o senador.

Aloysio Nunes afirmou que o email era apenas uma sugestão e que o assunto não foi levado adiante, já que estava perto da eleição e Serra sequer pararia para discutir detalhes como este.

"Era uma sugestão dele, de alguém que era meu amigo. Só isso."

O senador afirmou ainda que o fato do irmão de Fagali Neto, José Jorge Fagali, ter assumido a presidência do Metrô também é algo totalmente independente.

"O irmão dele é um velho metroviário. Fez carreira no Metrô. Foi nomeado interino e acabou efetivado."

O senador afirmou que suas relações com Fagali Neto são de amizade e que não conhece os negócios dele.

"Como gestor público ele foi extremamente eficiente. Se ele tem dinheiro na Suíça, se é legítimo ou não cabe a ele explicar."

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