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Encontro com lobistas » Cardozo considera reuniões com lobistas acusados de pagar propina Em audiência no Senado, ministro da Justiça confirma a possibilidade de ter se encontrado com empresários acusados de pagar propina e de participar de esquema de cartel dos trens

Paulo de Tarso Lyra

Publicação: 04/12/2013 06:46 Atualização:

Líderes da oposição cobraram explicações de Cardozo durante audiência na CCJ do Senado: Geraldo Magela/Agência Senado
Líderes da oposição cobraram explicações de Cardozo durante audiência na CCJ do Senado: Geraldo Magela/Agência Senado

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu ontem, durante audiência no Senado, que pode ter se encontrado com dois lobistas acusados de pagar propinas a políticos do PSDB e investigados por envolvimento no cartel dos trens em São Paulo. Cardozo se encontrou, segundo o advogado de um dos investigados, Arthur Teixeira, com os lobistas pelo menos duas vezes em Brasília, em 2003. “Eu não me lembro, até porque o setor metroviário não é meu ramo de atuação.” Arthur Teixeira negou que tenha pagado propinas a tucanos. Ele é dono da Procint Consultoria. O outro lobista seria Sérgio Meira Teixeira, falecido em 2011, então proprietário da Constech.

Os questionamentos foram feitos pelo líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP). O tucano chegou a afirmar que, se Arthur era de fato um consultor, estaria sendo perseguido de forma injusta. E se é um pagador de propinas, como consta na denúncia apócrifa entregue ao ministro, caberia a Cardozo explicar exatamente o que ocorreu, em vez de dizer que não se lembra. E acrescentou que, nas duas hipóteses, o ministro deveria se sentir na obrigação de deixar o cargo. “Eu posso até ter me encontrado. Eu vi as fotos do Arthur. Não me lembro, mas me encontrei com muita gente ao longo destes anos. De qualquer maneira, isso nada alterou os trabalhos porque a denúncia está sendo investigada da mesma forma”, garantiu o ministro.

Durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Cardozo também foi cobrado pelos tucanos, tanto pelo líder Aloysio Nunes Ferreira (SP) quanto pelo senador Álvaro Dias (PR) sobre as razões pelas quais as investigações feitas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Polícia Federal estão concentradas apenas em São Paulo, e não nos contratos firmados pela Siemens com o governo federal. “Os nomes dos executivos da Siemens que assinaram o acordo de leniência com o Cade, Nelson Marchetti, Newton Duarte, Jan Malte Orthmann, Daniel Mischa Leibold e Everton Rheinheimer, aparecem no Diário Oficial da União como signatários da empresa alemã em pelo menos 33 outros contratos firmados com estatais federais nos últimos 10 anos”, alertou Aloysio.

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