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Visita da Ministra » Encontro de prefeitos em Gravatá vira palco de cobranças Sem a presença de Eduardo, aliados assumiram o papel de ataque ao governo federal

Aline Moura - Diario de Pernambuco

Publicação: 03/12/2013 06:57 Atualização:

Ideli Salvatti falou de investimentos e contou ajuda de Armando Monteiro para rebater acusações dos socialistas: Paulo Paiva/DP/D.A PRESS
Ideli Salvatti falou de investimentos e contou ajuda de Armando Monteiro para rebater acusações dos socialistas: Paulo Paiva/DP/D.A PRESS

A visita da ministra das Relações Institucionais Ideli Salvatti a Gravatá, no interior de Pernambuco, expôs ainda mais a tensa relação nacional entre o PT e o PSB e mostrou que o pacto federativo ainda é o discurso mais forte dos socialistas contra o governo Dilma Rousseff (PT). A ministra veio ao estado, ontem, para encerrar um ciclo de encontros com prefeitos que tem feito em todo o país - este foi o 31º -, mas dividiu o palanque com aliados do governador Eduardo Campos (PSB), agora na oposição, e teve de responder a uma sucessão de críticas. Num discurso ao lado de Ideli, na presença de 148 prefeitos do estado, o presidente da Associação Municipalista de Pernambuco, José Patriota (PSB), usou por três vezes a palavra “caos” para traduzir a relação dos gestores municipais com o governo federal. Recebeu aplausos e chegou a ser ovacionado.

O encerramento do ciclo realizado pelo Ministério das Relações Institucionais virou campo aberto para embates políticos, apesar de a finalidade ter sido aproximar o governo federal dos prefeitos. O evento não contou com a presença do governador Eduardo Campos (PSB), que cumpriu outra agenda no Recife e alegou não ser exigência do protocolo acompanhar ministros. Mas José Patriota repetiu cada argumento que vem sendo usado por Eduardo nos últimos meses, ressaltando também a necessidade de uma reforma previdenciária no país - algo que Eduardo anunciou para o estado somente na semana passada.

Patriota usou ironias, recebeu reforços positivos às críticas de um lado ao outro do auditório e sorriu de justificativas dadas por Ideli enquanto ela discursava. A entidade que preside ainda distribuiu panfletos para os participantes, convocando os gestores para uma agenda em Brasília no próximo dia 10. O material publicitário dizia: “sem recursos, os municípios irão parar”.

Apesar de trocar sorrisos e conversar com Ideli, o secretário estadual da Casa Civil, Tadeu Alencar, também nome de confiança de Eduardo, disse que os movimentos sociais realizados pelo país mostram a necessidade de mudanças. Ele encerrou o discurso lembrando que, em fevereiro, o governo do estado reuniu os prefeitos no mesmo hotel e todos saíram de lá satisfeitos ao receber a notícia sobre a criação do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Municipal (FEM).

A ministra citou ações que o governo federal trouxe para Pernambuco, explicando que Dilma escolheu a opção por desonerar os impostos, que tanto descontentam os prefeitos, para manter os empregos. A redução de impostos, como o IPI, atingiu os repasses para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), visto como essencial para a sobrevivência de cidades de porte menor, que não têm arrecadação própria.

Ataque e defesa

Confira o embate entre aliados do governador Eduardo Campos e da presidente Dilma Rousseff

“Em Pernambuco, 136 prefeituras pernambucanas estão em caos por conta da queda do Fundo de Participação dos Municípios. Hoje, tem muito prefeito com lágrima nos olhos, porque eles ficam passeando pelos ministérios e quando tiram uma pendência, lhe caem mais duas”
- José Patriota (PSB), presidente da Associação Municipalista de Pernambuco

“Aqui é o momento de discutirmos nossas convergências e nossas reivindicações. Nós ouvimos de (José) Patriota a questão do pacto federativo, mas isso não é uma via de mão única. Não podemos dialogar como se o governo federal fosse o único obrigado a prover esse diálogo”.
- Pedro Eugênio (PT), deputado federal e presidente estadual da sigla

“Os municípios não querem fugir de sua parte (no debate do pacto federativo). Nós temos uma expectativa forte aqui, que, ao final, os prefeitos saiam tão satisfeitos desse encontro como saíram do encontro que fizemos aqui (com Eduardo Campos) em fevereiro”.
- Tadeu Alencar (PSB), secretário estadual da Casa Civil

“O nosso prefeito (José Patriota) não fez referência a uma medida que a presidente ofereceu aos prefeitos, que foi a complementação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em duas parcelas, de R$ 3 bilhões, uma em setembro e outra em abril”
- Armando Monteiro Neto (PTB), senador e presidente estadual da sigla

“Que esse encontro sirva para ajudar os prefeitos a dar continuidade a essa parceria com a União que tanto beneficia a população. Queria aproveitar para dizer que as dificuldades do Nordeste e de Pernambuco são grandes por conta da queda dos repasses do FPM”
- Bruno Martiniano (PTB), prefeito de Gravatá

“Hoje, estamos comemorando algo que os países europeus não podem comemorar. Temos o menor índice de desemprego de nossa história. Quando Dilma desonerou os impostos (…) era a melhor solução para enfrentar a grave crise”
- Ideli Salvatti (PT), ministra de Relações Institucionais

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