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Audiência pública » Professor da Unicamp aconselha país a priorizar hidrelétricas e álcool em vez do pré-sal

Agência Senado

Publicação: 18/03/2013 21:49 Atualização:

O professor de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Rogério Cesar de Cerqueira Leite afirmou em audiência pública realizada pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), nesta segunda-feira (18), que o Brasil deveria concentrar seus esforços de desenvolvimento da matriz energética na construção de mais usinas hidrelétricas e de álcool.

Em sua avaliação, a opção do governo federal pelo pré-sal, feita nos últimos anos, não foi adequada tanto pela enorme barreira tecnológica que precisa ser transposta para tornar realidade a exploração do petróleo em águas profundas, tanto como pelo relativo pequeno tempo de aproveitamento das reservas, que segundo ele, pode girar em torno apenas de meio século.

“Eu nunca entendi muito bem por que este governo deu uma tal preferência para o pré sal. O pré-sal vai ser caro, é poluente, e todo mundo briga por causa dele.  Nada vai acalmar mais os ambientalistas que uma opção pelo álcool. Eu tenho certeza que nós vamos ter muito mais paz no Brasil com a retomada do álcool”, disse.

Rogério César de Cerqueira Leite observou que o aumento do consumo de combustíveis fósseis no país, que poderá ser causado por uma maior oferta de petróleo originado das jazidas do pré-sal, deverá elevar a concentração de gases do efeito estufa, gerando problema ambiental pior do que o decorrente da construção de hidrelétricas.

“Não é nada provável cientificamente que há prejuízos para a natureza quando você aumenta as áreas alagadas. Essas áreas são sempre férteis de vida, de novas espécies e podem servir, inclusive para a produção de peixes”, observou.

Outras fontes de energia

Rogério Cesar de Cerqueira Leite disse ainda que o uso da energia nuclear está sendo deixado de lado em todo o mundo sobretudo pelos elevados investimentos necessários e pelos riscos ambientais envolvidos.

Quanto às perspectivas da ampliação do uso da energia solar no país e no mundo, O professor da Unicamp se disse pessimista no curto prazo, devido ao alto custo de manutenção dos sistemas geradores e pelas limitações de escala de produção. Para daqui há 20 anos, no entanto, ele considerou que tal fonte se tornará viável em razão de desenvolvimentos tecnológicos.

“A energia solar vai ser um dia muito eficiente. Hoje não é eficiente por questões tecnológicas. A energia solar ainda é hoje muito cara”, disse.

De acordo com Rogério Cesar Cerqueira Leite, a energia eólica é uma das mais promissoras por utilizar geradores altamente eficientes.

O painel, dirigido pelo presidente da CI, senador Fernando Collor (PTB-AL), faz parte do primeiro ciclo de debates promovido pela comissão este ano, intitulado "Investimento e Gestão: Desatando o nó logístico do país”, que se estenderá até o fim do ano, com o objetivo de debater energia, transporte, aviação civil, água, telecomunicações e temas transversais de infraestrutura.

O tema do primeiro painel, que se iniciou com a exposição do professor Rogério Cerqueira Leite, é “Energia e Desenvolvimento do Brasil". Nos próximos encontros serão ouvidos outros especialistas nas diversas áreas de geração de energia.

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