Publicação: 18/03/2013 09:22 Atualização: 19/03/2013 11:55
O senador de Minas Gerais e candidato virtual do PSDB à Presidência da República em 2014, Aécio Neves criticou a forma como o governo federal vem administrando a maior estatal brasileira, a Petrobras. Em um artigo publicado na edição desta segunda-feira (18) do jornal Folha de S. Paulo, num tom irônico o tucano defende a “estatização” da empresa, que atualmente seria a “PTbras”, em referência ao loteamento político em cargos estratégicos na gestão.
Segundo Aécio, a empresa que completa em outubro 60 anos de existência não tem o que comemorar. Ele lembrou a relação social da empresa, que foi fundada pelo presidente Getúlio Vargas (PTB) sob um clima político nacional, com a realização de comícios e manifestações de rua no final dos anos 40 e começo dos 50. Para ele, esta relação foi perdida com o passar do tempo, principalmente nos últimos anos sob a égide do governo petista nas gestões do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, ambos do PT.
“Não há barril de petróleo capaz de obscurecer o que está acontecendo, a olhos vistos, com a empresa: queda brutal no valor de mercado, baixo retorno dos investimentos, descumprimento de metas, aumento dos custos operacionais e administrativos e perda de posição nos rankings internacionais, entre outras mazelas”, criticou.
O ex-governador de Minas Gerais também destacou as perdas no mercado financeiro. A companhia, que vem perdendo gradativamente sua importância no cenário nacional, teria registrado uma queda de 50% no patrimônio nos últimos anos. Os maiores prejudicados seriam os trabalhadores que adquiriram ações da Petrobras com recursos como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FTGS).
“O escândalo da compra por mais de US$ 1 bilhão de uma refinaria nos EUA, pouco tempo antes negociada por apenas US$ 42,5 milhões e que, hoje, só conseguiria ser vendida por cerca de US$ 100 milhões, lança graves suspeitas sobre a empresa”, arrematou. O Ministério Público investiga o escândalo.
“Com tantas incertezas pela frente, teme-se agora até pelo futuro do pré-sal. No final de 2006, às vésperas das eleições, o governo federal anunciou a autossuficiência do país em petróleo. No entanto, a própria Petrobras reconhece agora que, entre 2007 e 2012, essa condição não existiu. Registre-se ainda que, apenas no ano passado, o Brasil importou US$ 7,2 bilhões em derivados”.
No final do artigo, Aécio Neves afirma que é preciso “defender a companhia” das ações do PT. “Defendê-la da voracidade de parte do PT é tarefa urgente. Tempos atrás era anunciado como grande novidade um certo modo petista de governar. Hoje o Brasil inteiro sabe o que isso significa”, completou.
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