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Entrevista » "Ele não pode falar mal de Lula", diz Erivaldo Pereira

Rosália Rangel

Publicação: 16/03/2013 16:02 Atualização: 15/03/2013 19:48

O que mais lhe chamou a atenção nos discursos do governador Eduardo Campos?
A forma como organiza o discurso todo voltado para valorização do que faz no estado de Pernambuco e inclui o povo nesse processo. Isso tem duas hipóteses a serem analisadas: primeiro, ao colocar o povo nesse processo, ele usa o povo como autoridade, porque o povo ratifica o que ele faz. A outra hipótese é que isso, de certa forma, é um anúncio de pedir ao povo confiança para os projetos futuros.

O senhor acha que o governador está conseguindo repassar essa mensagem?
O discurso dele é muito claro. Ele usa como estratégia enaltecer o trabalho dele e se contrapor ao trabalho do PT, leia-se Dilma e não Lula, apresentando Pernambuco como uma solução para o país. Enaltece as qualidades técnicas dele e até mesmo do apoio popular. Isso se materializa no discurso através de diferentes estratégias de linguísticas.

No fim do ano passado, o governador afirmou em entrevistas que projeto do PSB era o da presidente Dilma e que os aliados deveriam ajudá-la a vencer 2013 e não antecipar o debate eleitoral. O senhor percebeu mudanças nos discursos recentes dele?
Não conheço os discursos anteriores, mas, no discurso atual, o que se percebe nas entrelinhas é que ele está se preparando para o futuro. O próprio texto falado dele é muito voltado para o que vai acontecer e, quando ele coloca que o Brasil deve se espelhar em Pernambuco e associa isso aos anos do governo do PT (2011 e 2012), intrinsecamente está dizendo que é uma proposta melhor para o país. Obviamente, que não assume em nenhum momento do discurso que será candidato.

Eduardo tem elogiado nos discursos as ações do ex-presidente Lula e não tem falado no nome da presidente Dilma?
Isso é outra estratégia muito forte. Ele não pode atacar Lula por conta da força política dele e também porque Lula não é candidato. Agora, ele não se refere explicitamente a Dilma porque é base do seu governo, no entanto, não deixa de fazê-lo quando apresenta os problemas do Brasil e deixa claro que o governo atual não reconhece esses problemas. Ao mesmo tempo mostra que vem fazendo isso em Pernambuco.

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