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Mais bate-boca » Estreia de Marco Feliciano é marcada por muito bate-boca e protesto

Estado de Minas

Publicação: 14/03/2013 07:32 Atualização:

O pastor Marco Feliciano (PSC-SP) bem que tentou em seu primeiro dia de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM) fazer uma social com os ativistas que protestam contra sua indicação para o cargo. De nada adiantou. A reunião foi marcada por bate-bocas acalorados entre os deputados que se opõem à escolha de Feliciano para o cargo e os defensores de seu nome, entre eles o polêmico deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), policial reformado, titular da comissão.

Por pouco não saíram no tapa. Integrantes de movimentos de defesa das minorias mais uma vez protestaram contra o deputado do PSC. Na estratégia de evitar manifestações, um grupo de evangélicos ocupou no fim da manhã quase todas as cadeiras do plenário. Sem ter onde sentar, ativistas se concentraram na entrada do plenário. Houve tumulto durante toda a sessão.

Acusado de declarações homofóbicas e racistas nas redes sociais e em sua pregações, o pastor tentou aprovar uma nota de repúdio ao candidato a presidente da Venezuela Nicolas Maduro, que acusa seu adversário, Henrique Capriles, de ser homossexual, mas não houve quórum.

Ele retirou da pauta a análise das propostas que defendem a realização de um plebiscito para a população decidir a favor ou contra a união entre pessoas do mesmo sexo, projeto defendido por ele, e a criminalização do preconceito contra os heterossexuais. Em pronunciamento antes do início dos trabalhos da comissão, pediu ainda desculpas por declarações que possam ter ofendidos homossexuais e os negros. “Peço a todos e a todas que se sentiram ofendidos por alguma colocação minha, em qualquer época, peço as mais humildes desculpas, e coloco meu gabinete à disposição”, disse Feliciano, que pediu um “voto de confiança”.

‘Paradas gays’

Durante a reunião os dois grupos se provocaram, praticamente invizabilizando as discussões. Integrantes do PT tentaram suspender a reunião, alegando falta de quórum, mas Feliciano não permitiu. O pastor se desentendeu também com o ex-secretário de Direitos Humanos deputado Nilmário Miranda (PT-MG), que tentou, sem sucesso, falar durante a reunião, mas foi ignorado por Feliciano. O presidente da comissão fingiu não ouvir Nilmário, que ficou em pé na sua frente esbravejando.

Bolsonaro e o ex-presidente da CDH Domingos Dutra (PT-MA) também bateram boca e quase trocaram sopapos, mas foram contidos pelos seguranças da Casa. “Acabou a concentração de paradas gays nesta comissão”, afirmou o deputado do PP, que portava cartazes ironizando os homossexuais. “Uma comissão importante como a de Direitos Humanos passando por esse tumulto, então, é melhor extingui-la, porque toda sessão que tiver vai ser isso", criticou Dutra.

Ao fim da sessão, que durou cerca de duas horas, Feliciano mais uma vez foi cercado e teve de ser escoltado pela polícia legislativa até seu gabinete. Os manifestantes permaneceram na Câmara na tentativa de conseguir uma reunião com o presidente da Casa, deputado Henrique Alves (PMDB-RJ). Apesar do tumulto, Feliciano avaliou como positiva a sessão e disse considerar normal os protestos.

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