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Publicação: 07/03/2013 08:16 Atualização:
A construção de uma escola técnica no município de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, transformou-se em cabo de guerra entre a prefeitura e a Câmara de Vereadores. De um lado, os aliados do prefeito Elias Gomes (PSDB) dizem que, por conta da intransigência da Casa, o Executivo perdeu os prazos e pode deixar de receber o investimento federal, previsto para ser erguido numa área de 37.579 metros quadrados, na antiga Usina Bulhões, o equivalente a quase três campos de futebol.
Do outro, vereadores alegam superfaturamento na indenização do terreno, que teria custado R$ 3 milhões aos cofres públicos. A demora, no entanto, está carimbada com o DNA de ambos os poderes, prejudicando os estudantes do município.
A polêmica chegou à Assembleia Legislativa este ano e chamou a atenção dos jovens que precisam de ensino profissionalizante, mas se arrasta desde 2011. O primeiro entrave começou com o executivo, que apresentou quatro terrenos inapropriados para construir a escola técnica e todos foram recusados pela Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco. Agora, no quinto terreno, quando o instituto aceitou a área, são os vereadores que emperram.
O secretário de Articulação Política de Jaboatão, Daniel Pessoa, disse que a prefeitura corre o risco de perder o investimento federal, porque o Executivo precisava ter, até hoje, o projeto de lei de doação do imóvel aprovado pela Câmara, o que não aconteceu. Segundo ele, a prefeitura enviou a matéria à Casa no dia 19 de fevereiro, em regime de urgência, porém a maior parte dos vereadores não se movimentou para apreciá-lo.
“Vamos ver se conseguimos mais prazo. Mas ressalto que o presidente da Câmara, Ricardo Valois (PT), passou 15 dias como prefeito, assinou vários documentos que entregamos ao instituto e agora ele diz que há irregularidades”, disparou, sendo reforçado pelo vereador Alberto (PSDB), que acusa os pares de barganha. “Esse posicionamento é falta de compromisso com a população”, declarou, acrescentando que, na Casa, só há mais dois vereadores que demonstram ser a favor da matéria.
Perplexo
Ricardo Valois se disse “perplexo” com as declarações do secretário de Articulação. De acordo com ele, a prefeitura demorou mais de dois anos para encontrar um terreno, desapropriá-lo, e agora quer que a Câmara aprove a doação sem fazer qualquer estudo, sem cumprir seu papel de fiscalização. Valois, que assumiu a prefeitura no início do ano após Elias Gomes entrar de férias, disse que não iria chegar no Executivo e revirar tudo. “Eu não sou maluco de assumir uma prefeitura em quinze dias e ficar mudando tudo” declarou Valois. “Agora, como vereador, estou cumprindo meu papel”, acrescentou.
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