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Entrevista » "A falha está na gestão do ensino", afirma João Batista de Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto (IAB)

Júlia Schiaffarino

Publicação: 02/03/2013 17:05 Atualização: 01/03/2013 23:36

 (Pedro França/ Agência Câmara)
Como o senhor avalia a educação pública no Brasil?
Qualquer que seja o critério para avaliar a educação,  estamos mal na foto. Há países em situação muito pior, mas a grande maioria das cidades brasileiras não atinge nem o mínimo aceitável. No Brasil, temos dificuldade de organizar e operar redes de ensino. A gente sabe fazer escola, mas não tem instrumentos políticos, não tem políticas educacionais que façam o ensino delas render.

Quais as dificuldades para se alcançar a qualidade no ensino?
Devido ao crescimento de população acelerado que tivemos nas últimas décadas, expandimos o sistema educacional muito depressa. Ao fazer isso com tanta velocidade, é difícil preservar uma qualidade mínima. Entre os maiores prejudicados está o salário do professor e, assim, fica raro um profissional bem formado em sala de aula.

Onde está a falha do sistema?
Está na gestão desse sistema de ensino. O Brasil não tem um padrão escolar. Todo ano se muda. Para ter ideia, a idade de alfabetização passou agora de seis para oito anos, o que é um absurdo. Então se mexe muito em tudo e com muita pressa. Não há, por exemplo, um sistema fixo para escolha de diretores de escola. O Brasil não criou essas instituições. Não há um programa nacional de ensino. O país não conseguiu desenvolver as categorias básicas: o que é escola, como atrair e manter o professor, definir programas. Então não funciona.

O que os municípios devem fazer para mudar o quadro do ensino?
Os municípios precisam ter um senso de realidade. É fundamental organizar a casa, ver bem os programas de ensino que aplica, ter material didático adequado e mecanismos de apoio ao professor. Mas, principalmente, parar de atrapalhar as escolas criando e recriando programas sobre programas.

O dinheiro destinado à educação pelos municípios é suficiente?
Se o dinheiro disponível para educação for bem usado, dá sim para fazer coisas boas. Acontece que as gestões em educação são muito precárias e se enche a prefeitura de projetos para dizer que existem políticas, para que se pense que há coisa nova, quando não há.

O Ideb é o suficiente para medir a qualidade da educação?
O Ideb é a forma de medição que temos. Ele mistura aprovação de aluno, que é algo muito fácil de se atingir, com notas de uma avaliação de português e matemática. Atingir essa meta é fácil. Ao ter uma criança sabendo ler e escrever se atinge e isso não é uma virtude para ninguém em dizer que alcançou a nota mínima. O desafio está em superar essa meta, é criar uma rede de ensino.

É possível citar algum grande município pernambucano que esteja caminhando melhor em termos de educação?
De uma forma geral, uma das cidades mais organizadas em termos de educação é Petrolina.

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: Sérgio César
Ninguém se atreve a denunciar ao ministério público que o salário do professor do Estado de Pernambuco, continua ruim. O secretário de educação vai á imprensa e afirma que os professores das escolas ditas de 'referência' recebem 199% de aumento. Puro mentira. | Denuncie |

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