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Câmara do Recife » Oposição e o reforço governista O prefeito Geraldo Julio tem ampla maioria na Câmara de Vereadores, mas, a depender da circustância, pode enfrentar uma oposição turbinada com o PT

Ana Luiza Machado

Publicação: 02/03/2013 15:00 Atualização: 02/03/2013 15:11

Bancada de oposição a Geraldo Julio pode aumentar segundo a conveniência. Foto: Aguinaldo Leonel/Divulgação (Aguinaldo Leonel/Divulgação)
Bancada de oposição a Geraldo Julio pode aumentar segundo a conveniência. Foto: Aguinaldo Leonel/Divulgação
Que a bancada de oposição na Câmara do Recife é pequena, todo mundo já sabe. São apenas quatro vereadores. O potencial de crescimento dela, no entanto, deve ser levado em consideração. São muitos os interesses que rondam os 14 partidos que compuseram a frente de apoio à eleição do prefeito Geraldo Julio (PSB) e, após a  vitória nas urnas, no Legislativo municipal, o número de apoiadores cresceu. A bancada governista possui 35 dos 39 vereadores, mas inclui partidos que foram adversários na disputa eleitoral.

A bancada do PT, por exemplo, que demorou para definir se a sua atuação na Câmara seria de independência ou de adesismo à gestão socialista certamente dará a sua contribuição quando a oposição levantar um tema considerado importante para o PT e que o novo governo não deu continuidade. Se os oposicionistas precisarem de discurso que diminuam os impactos da gestão socialista, os petistas também poderão ajudar, afirmando que tal feito só teve êxito porque foi um trabalho feito pelos 12 anos em que o PT esteve no comando da cidade.

Assim aconteceu, neste início de legislatura, quando Estéfano Menudo (PSB) usou a tribuna para elogiar o carnaval 2013. De pronto, os petistas Henrique Leite e Jurandir Liberal fizeram questão de se pronunciar. “Esse modelo de carnaval foi criado na gestão do Partido dos Trabalhadores”, ressaltou Leite. O reforço veio de Liberal. Ele afirmou que a descentralização da festa com vários polos de shows é uma marca de sucesso da gestão petista e alfinetou dizendo que o novo prefeito recebeu muitos elogios porque “teve a sensibilidade de manter o estilo da festa”.

Na sessão em que o vereador André Régis (PSDB) apresentou um diagnóstico negativo da educação do Recife, os petistas ficaram isolados na defesa do projeto, que até a última eleição, era compartilhado com os socialistas. A distância entre PT e PSB, ainda pequena no Recife, tem alcançado contornos maiores na esfera nacional, já que os socialistas, apesar de não assumirem publicamente, sempre que podem, reforçam a pré-candidatura do governador Eduardo Campos à Presidência da República. Até lá, o discurso parece ser o da desconstrução das ações realizadas pelas duas legendas até o inevitável rompimento.

Na última sexta-feira, o governador endureceu as críticas ao governo federal  sobre a economia e a saúde e, na oportunidade, ressaltou a própria gestão, que possui 93% de aprovação. “Há um subfinanciamento do SUS. A situação de muitos municípios chegou a um limite. Fico à vontade para falar em estipular um teto mínimo para investimentos em saúde, porque Pernambuco ultrapassa e muito os 12% que determina a Emenda 29”, disse.

O senador Humberto Costa (PT), por sua vez, fez pronunciamento no Senado sobre a saúde. “Ao longo destes 10 anos, tivemos avanços significativos e importantes no SUS”, disse o senador. Sobre a economia rebateu os críticos. “Estas manifestações de pessimismo não ajudam em nada a economia do Brasil. Criamos em 10 anos quase 20 milhões de empregos com carteira assinada. Não adiantam os discursos da desconstrução. Ninguém melhor que o povo para saber da grande transformação vivida no Brasil”, mandou o recado.

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