Os membros da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara (CEMVDHC) realizarão na próxima quinta-feira (14), às 9h, na Sede da Secretaria Executiva de Justiça e Direitos Humanos uma coletiva para tratar da morte de Anatália Melo Alves, ocorrida em 1973 na sede do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) em Recife. O órgão teria sido responsável pela tortura e assassinato de Anatália, embora na época o laudo médico apontasse suicídio.
De acordo com o coordenador do CEMVDHC, Fernando Coelho, a coletiva vai expor detalhes até então desconhecidos sobre o local de sepultamento e atestado de óbito de Anatália. “Este foi um importantíssimo passo para que, mais na frente, a CEMVDHC possa comprovar que Anatália foi assassinada, vítima de tortura. Dar sumiço ao corpo era apenas uma das maneiras de esconder a verdade. O atestado aponta como causa da morte asfixia por enforcamento. Trata-se de uma expressão ambígua que permite interpretação equivocada do que de fato aconteceu. Agora, a partir destas pistas, estamos mais próximos de esclarecer este caso”, declarou. O esposo de Anatália na época da morte, o bancário aposentado Luiz Alves Neto, estará presente na solenidade.
Anatália pertenceu ao Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Morreu aos 28 anos de idade, no dia 22 de janeiro de 1973. O corpo foi encontrado, parcialmente carbonizado, na cela DOPS. Ela teria sido vítima de torturas físicas e psicológicas. A primeira versão apontada foi de suicídio, registrada no ofício nº 21, dirigido pelo órgão à Diretoria do Instituto de Polícia Técnica, assinado pelo delegado de Segurança Social, Redivaldo Oliveira Acioly, na qual se lê: “...suicidado-se, usando para isto, um pedaço de couro, em forma de “U” além de haver ateado fogo em suas vestes. Solicito as providências necessárias no sentido de ser procedida a perícia no local”. Segundo o depoimento de Luis Alves Neto, ele e Anatália foram torturados no DOPS o que teria causado a morte da jovem.
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