A partir de fevereiro, a Câmara de Vereadores do Recife terá novos líderes de governo (Gilberto Alves, do PTN) e de oposição (Aline Mariano, do PSDB).
O Diario de Pernambuco escutou a percepção de ambos sobre esta legislatura que se iniciará, as pretensões à frente das respectivas bancadas e confrontou os dois, com cada um fazendo questionamentos ao outros. O resultado deste "embate" pode ser acompanhado nos textos abaixos na repórter Ana Luiza Machado.
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| Vereadora Aline Mariano (PSDB) será a líder da oposição na Câmara. Foto: Gianny Melo/Divulgação |
ENTREVISTA >> Aline MarianoDefinição do nomeNão houve qualquer resistência, porque Raul Jungmann e André Régis, que estão chegando na Casa agora, entenderam que durante esses últimos quatro anos eu dividi com Priscila a tarefa de fazer uma oposição firme, constante combativa. Então, meu nome acabou sendo consenso para encabeçar os embates neste inicio da gestão do prefeito Geraldo Julio. Mas a ideia é que a gente discuta a nossa atuação antes das ações efetivas, primeiro para que todos estejam a par de tudo e, depois para que a gente realmente tenha unidade enquanto bancada.
Desconforto com a relação PSDB- PSBNao há. Separamos muito bem as coisas. Nacionalmente em relação ao PT somos antagônicos, mas com o PSB é inegável que há parcerias em vários estados. Temos em Pernambuco 20 prefeituras, e dessas, muitas são ligadas ao PSB. Nenhuma, no entanto, ligada ao PT. Uma coisa temos certeza, nas eleições municipais tivemos candidato próprio e, na Câmara fomos eleitos para fazer oposição. E vamos fazer e não há desconforto nisso. Eu sei qual é o meu papel. Sabemos que existe uma boa relação do presidente do meu partido, Sérgio Guerra, com o governador Eduardo Campos, e do senador Aécio Neves (PSDB) com o governador do estado, mas para que a gente possa se alinhar, seria necessário que Eduardo rompesse definitivamente com o PT. Senão, teremos candidato à Presidência em 2014 e, até lá, continuaremos a fazer oposição.
Desafios à frente da liderançaNão vou ser uma voz isolada. Apesar da bancada só ser composta por quatro membros, todas as ações serão integradas. Vou fazer reunião uma vez na semana para que haja um alinhamento das ações. Na legislatura passada também éramos minoria e, por ser um grupo pequeno, precisamos nos desdobrar na nossa forma de atuar. Nos próximos anos não será diferente. Temos quadros qualificados, mas sabemos que dificilmente vamos conseguir derrubar alguma matéria do Executivo que não concordamos, mas vamos nos posicionar. Fizemos isso com João da Costa e prosperamos, muitos projetos puderam ser melhorados por causa e ate revistos por causa da nossa intervenção, como foi o caso do projeto da Tamarineira, Sítio da Trindade, além de questionamentos sobre licitações, promoção de audiências públicas fazendo a população participar. Isso tudo equilibra o debate.
Liderança no 1º ano de gestãoEstar à frente no 1º ano de governo é mais fácil para ele (o prefeito ) e mais difícil pra nós da oposicao. Isso porque, normalmente, no inicio a gestão não imprime sua marca, ainda fica no estágio de "arrumar a Casa", o discurso é que a cobrança pode esperar um pouco mais. Já para nós da oposição, as cobranças não param. As pedsoas, sobretudo as que nos elegeram esperam que a gente cobre da gestao imediatamente. Acho que é um periodo que precisamos, enquanto bancada, ter serenidade para esperar um pouco as coisas acontecerem para iniciar as cobranças.
RodízioEstá na fase da redação final, na Câmara, o projeto que reformula o nosso Regimento Interno. Uma daas minhas colaborações ao projeto foi uma emenda, que já foi aprovada pelas comissões e fará parte do regimento, sobre a obrigatoriedade do rodízio de lideres de bancada. Sugeri de que ele fosse no tempo de dois anos. É saudável, oxigena a discussão. Mas não vejo nenhum problema também dele ser anual, como é feito no Congresso e como nos da oposição resolvemos fazer.
Linha de atuaçãoNossa linha será em cima da cobrança das promessas que o prefeito fez em seu programa de governo.. Vamos cobrar, fiscalizar e monitorar. Até porque os desafios para melhorar a cidade são muitos e a gente precisa estar ao lado para analisar e, se realmente for bom, concordar com projetos importantes para a cidade. João da Costa vinha de um governo de continuidade e a nossa cobrança, por isso, foi dura. Geraldo julio se elegeu pregando a mudança, então terá que promovê-la.. O que é importante sabermos é que herança financeira foi deixada para a atual gestão. Esse deve ser um ponto de partida. Como está a saúde financeira da cidade? Precisamos saber, dar um tempo para que ele (Geraldo Julio) se adeque, o que não quer dizer que não vamos cobrar. Pedi para o novo prefeito receber a oposição. Passamos quatro anos sem ser recebidos pelo prefeito Joao da Costa, exceto quando por uam pauta específica sobre o combate ao crack fomos chamados. Pedi agora, porque precisamos levar a nossa pauta de reivindicação. Nela estão projetos inacabados que não constam no programa de governo e que tenho tudo detalhado porque fiz no meu amndato de perto esse acompnhanhamento. E isso pode ajudar a gestão.
Monitoramento dos processos licitatóriosPara isso nao haverá trégua. As licitações devem ser feitas como mandam o figurino. Ficamos de olho na gestão passada e vamos continuar nessa, principalmente nos contratos que serão renovados com as empresas que participaram do governo passado. Fiz um relatório com 600 páginas só de licitações sem a regulamentação adequada e outro com o raio x dos termos aditivos e dispensas realizadas pelo ex-prefeito. Pra se ter uma idéia só com os valores dos aditivos dava ora fazer dois viadutos igual ao Capitão . Tudo foi protocolado no Ministério Publico e Tribunal de Contas. Temos para essa gestão, ficar de olho no contrato das merendas e kits escolares, no de limpeza urbana, carnaval, o projeto de mobilidade. Estaremos atentos.
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| Gilberto Alves vai ficar à frente da bancada governista na Câmara. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press |
ENTREVISTA >>Gilberto AlvesDefinição do nomePessoalmente posso dizer que foi uma honra poder ser lembrado para assumir as funções mais importantes da Casa, mas eu acho que muito dessa lembrança se dá pela proximidade que tenho com esse projeto de Geraldo Julio, do PSB e do governador. Nossa trajetória política se deu ao lado dessas pessoas, além da confiança, identidade, respeito e a responsabilidade que a gente tem com o projeto. Tudo isso, eu acho que pesou. E como são posições estratégicas, é natural que a gente seja lembrado pra essas funções, mas outros companheiros da Casa também foram cogitados e lembrados porque tinham também condições de exercer a liderança com tranquilidade. Se você olhar quem foram os últimos presidentes da Cãmara, eram pessoas que vieram da relação e da intimidade das forças políticas que estavam no comando da prefeitura. Para citar recentemente, tivemos Múcio Magalhães e depois Jurandir Liberal, você vê que eles tinham intimidade com o PT, com a força hegemônica da PCR... é um pouco por aí.
Novo presidenteNão acho que ele destoe do perfil desse grupo dos que foram presidente. Vicente (André Gomes) está no PSB, é do PSB e é um vereador experiente. Ter bagagem é importante. E ele foi deputado federal, tem vários mandatos na Câmara, conhece os vereadores e representa o partido mais importante na Casa. O partido que mais vereadores elegeu.
Desafios à frente da liderançaPrimeiro a gente ter a consciência de que vamos liderar um grupo muito expressivo de parlamentares. E se você olhar, há uma diversidade muito grande. São vários partidos que compõem essa bancada e talvez esse seja o primeiro grande desafio: construir a unidade nessa bancada. Nela existem pessoas com afinidade com vários setores da sociedade, e a gente precisa conciliar a tarefa de cada um, o compromisso que cada um tem com seu partido, com seu mandato, com seus representados e ao mesmo tempo tentar aproximar eles do projeto do governo. Tentarei atuar como um facilitador para que isso aconteça.
Agradar o governo mais fiscalizar chega a ser uma contradição?Não, mas é um desafio a mais. Acho que a população, de uma forma geral, sabe separar o papel do vereador parlamentar, daquele que representa a bancada do governo ou até a bancada de oposição. São papéis distintos. Eu preciso prestar contas do meu mandato às pessoas que confiaram o voto em mim. São parcelas da sociedade, da comunidade, lugares por onde a gente passou, pessoas com quem conversamos, entidade que representam segmentos da população, e agente precisa dar resposta a isso. Nós sabemos que o vereador é o político mais cobrado porque é o que está mais perto da sociedade e é natural que haja cobranças. Na condição de líder, se cria uma expectativa no inconsciente coletivo das pessoas que a gente tem mais possibilidades por ser liderança. E não é verdade. É preciso deixar bem claro que a gente tem uma função como líder, mas mantém nossa atuação como vereador como sempre fez, a intermediação do interesse público, comunitário e popular com as coisas que dizem respeito a nossa tarefa como vereador.
Fiscalização da oposiçãoFiscalização todos nós, governistas ou oposicionistas, fazemos. O governista fiscaliza, mas a forma dele expressar isso é diferente. A oposição como é do papel dela faz isso de forma velada. A oposição verbaliza isso com mais facilidade, já o vereador da bancada de governo exerce esse papel, mas tem seus fóruns apropriados para discutir isso. E é bom que se diga que o próprio prefeito Geraldo Julio tem esse interesse e já verbalizou que é bom que seja assim. A gente vai, não sei ainda a data, marcar uma reunião com a bancada de governo, onde ele dirá exatamente que cada vereador vai ter seu espaço pra opinar, sugerir e criticar, por que não? Não poderia ser diferente. Isso é legítimo e necessário. Não seria prudente se o governo não fizesse isso. Isso será respeitado, não tenha dúvida.
AçõesFui escolhido há alguns dias, estamos em recesso, mas assim que retornar vou propor uma reunião com a bancada para que ajudem a definir como é que a gente pode fazer esse trabalho. O líder tem essa responsabilidade de ouvir e levar as queixas dos vereadores ao gestor. É uma orientação do prefeito que os secretários dialoguem bem com os vereadores de uma forma geral e que respeito o papel que a Câmara tem que é relevante para a sociedade e eu acho que o papel do lider também é esse ajudar no bom relacionamento entre Legislativo e o Executivo é premissa básica nas ações do governo.
Rolo compressorNão vamos trabalhar dessa forma. È compromisso de que sempre que a gente puder consensuar sobre as matérias melhor, agora evidente que na condição de líder de governo a gente precisa governar. E muita vezes governar significa contrariar interesses. A gente vai ao máximo querer ouvir o que está sendo proposto pela oposição, mas vamos precisar fazer valer o interesse da sociedade que espera que ele tenha iniciativa e possa cumprir aquilo que está proposto no programa de governo. Pra isso vamos precisar muito da bancada do governo e do comprometimento deles.
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