Na busca por votos, dois candidatos à prefeitura do Rio monopolizam as atenções do meio artístico neste primeiro mês de campanha. O prefeito Eduardo Paes (PMDB), que busca sua primeira reeleição, corre atrás de apoios para minar a simpatia da "esquerda" artística ao deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que herdou, nestas eleições, artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso, que no passado já caminharam com Lula e com Fernando Gabeira (PV), respectivamente, e historicamente são ligados à esquerda.
Segundo aliados do prefeito, a ideia a restringir o avanço de Freixo no meio cultural e não cometer o mesmo "erro" da eleição passada, quando Paes, às vésperas do pleito, ironizou a presença do cantor e compositor Caetano Veloso na campanha de TV do então candidato verde Fernando Gabeira. Na época, o prefeito chegou a desclassificar esse tipo de apoio: "É só oba-oba, musiquinha, jingle e muito artista na televisão falando. Respeito todos. Eles cantam muito bem, mas, infelizmente, não vamos passar os próximos quatro anos ouvindo o Caetano Veloso cantando Cidade Maravilhosa", disse em outubro de 2008.
Nestas eleições, o prefeito reviu seu posicionamento e já conseguiu o apoio do ator Marco Nanini, do cineasta Cacá Diegues e do arquiteto Oscar Niemeyer, comunista de carteirinha, justificando seu apoio ao prefeito do PMDB por ter concluído o projeto original do Sambódromo. O mestre da arquitetura brasileira em 2008 apoiou Gabeira contra o prefeito. Outro esquerdista de carterinha que anunciou apoio à Paes foi o poeta Ferreira Gullar.
Para o sociólogo e cientista político Sandro Corrêa, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a aproximação do prefeito ao meio artístico pode ser vista como uma forma de minar o apelo da campanha do PSOL, que tem como uma de suas estratégias fazer Freixo mais conhecido na cidade com a vinculação da imagem dele ao filme "Tropa de Elite".
"É uma disputa muito mais pragmática do que ideológica. Na prática, os conhecidos formadores de opinião já não têm tanto peso no voto do eleitor como nas campanhas dos anos 80. O que se percebe aqui é a estratégia de um candidato querendo minar o espaço que o outro teria, em tese, mais naturalmente", explica Corrêa.
Coincidentemente, a divulgação de apoios do peemedebistas estão sendo divulgadas uma ou até duas semanas depois que o artista se manifesta. Em alguns momentos, logo após o seu adversário anunciar outro artista ao seu lado.
Freixo não esconde de ninguém que uma das estratégias iniciais de sua campanha foi vincular sua imagem ao filme "Tropa de Elite", principalmente nas zonas Norte e Oeste. O objetivo era elevar seu nível de conhecimento nestas regiões onde sua bandeira ideológica e partidária "tem pouco apelo", segundo avaliação do próprio núcleo psolista. De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada no dia 21 de julho, metade dos eleitores não conhece o candidato.
Para isso, ele captou o apoio do ator Wagner Moura — o capitão Nascimento do filme —, Carlos Lessa, Leandra Leal, Zé Renato e Sandro Rocha.
"Logo após o fim do regime militar, os candidatos da esquerda veem nos artistas uma forma de conseguir romper a mítica construída pelos 20 anos de dominação da direita. Hoje, Freixo também tenta romper uma barreira que é a do conhecimento. Não há como avaliar se esta tática pode ou não dar certo", conclui o sociólogo.
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