O juiz federal de Goiás Leão Aparecido Alves, que foi indicado para assumir o processo contra o contraventor Carlinhos Cachoeira, mas se declarou impedido, apresentou nesta quarta-feira um requerimento para apurar as suspeitas que há contra ele, durante reunião dos conselheiros do Conselho Nacional De Justiça. A Polícia Federal investiga o suposto envolvimento da mulher e de uma assessora de Leão Alves no vazamento de informações da Operação Monte Carlo.
Também nesta quarta-feira, a corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, conversou por mais de uma hora com o juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, afastado do processo da Operação Monte Carlo na semana passada. A corregedora confirmou as ameaças, mas minimizou o caso, afirmando que ele teve uma superexposição com o caso e já estava na hora de se afastar do processo, que investiga os negócios do bicheiro Carlinhos Cachoeira. "O juiz confirma apenas a questão de um telefonema que ele recebeu de alguém de um presídio de segurança máxima, de um carcereiro. E de um policial que visitou os pais dele. O carcereiro dizendo que ouviu conversa de um preso dizendo alguma coisa. Eu nem lembro mais. É muita futrica, muita intriga que tem nessa história. Alguém disse porque disse que ouviu, mas nada de concreto", informou Eliana Calmon.
Segundo Eliana, Moreira Lima disse estar preocupado com a família e que está muito cansado após 16 meses no processo que trouxe muita exposição a ele. A corregedora ressaltou que o juiz saiu do processo não por fragilidade, medo ou covardia: "Hoje ouvimos o magistrado, as razões dele. Porque o nosso entendimento é que a magistratura não pode estar fragilizada, ou seja, com medo do crime organizado. Naturalmente que o juiz deu as razões. Disse que se sentia cansado, se sentia realmente extenuado e que gostaria de sair. No nosso entendimento, deixá-lo (cuidando do processo) depois que ele está cansado, que ele trabalhou por 16 meses no processo, seria até um ato de desumanidade. Daí que eu entendo que não sai não por fragilidade, não por covardia, não porque ele esteja com medo. Ela sai porque ele quer efetivamente descansar disso tudo, dessa notoriedade. Porque a partir do momento em que foi deflagrada a operação, ele foi para a mídia.
Além de Paulo Augusto Moreira Lima e Eliana Calmon, também participaram da reunião o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Nino Toldo; o ex-corregedor do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) Cândido Ribeiro; o juiz federal de Goiás Leão Aparecido Alves; e conselheiros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Nem Paulo Augusto Moreira Lima nem Leão Aparecido Alves quiseram falar com a imprensa antes ou depois da reunião no CNJ. Já o desembargador federal Cândido Ribeiro, ex-corregedor do TRF1 e responsável pelo voto que ajudou a garantir a legalidade das escutas da Operação Monte Carlo, afirmou que o processo não será prejudicado com a troca do juiz responsável. Assumirá o juiz federal Alderico Rocha, que, segundo Ribeiro e Eliana Calmon, é um magistrado experiente. "O processo criminal que tem réu preso tem prioridade em relação a qualquer outro processo. Então esse processo vai ter um andamento célere, rápido", afirmou Ribeiro.
Questionado se as ameaças são graves, ele concordou, mas minimizou: "É (grave), mas nossa atividade é assim. Eu sou juiz criminal a 25 anos. Já julguei muitos processos".
Segundo o presidente da Ajufe, Nino Toldo, ainda não há um esquema de segurança pré-definido para Alderico Rocha, o novo juiz responsável pelo processo, porque ele não é considerado um magistrado em situação de risco. Mas Toldo afirmou que toda a atenção está sendo dada a ele pela Ajufe e pelo CNJ. Quanto a Paulo Augusto Moreira Lima, Toldo afirmou que ele não tem a intenção de sair do país e ainda vai ser avaliado se ele contará com um esquema de segurança. "Ele (Moreira Lima) vai continuar a vida dele. É um estresse grande. Mas o que ele mais quer é voltar à vida normal dele de cidadão brasileiro", afirmou, acrescentando: "Vai ser avaliado pela Polícia Federal a necessidade do aparato de segurança dele".
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