Cristhiano Aguiar confirma qualidades ficcionais

Raimundo Carrero
Escritor e jornalista

Publicação: 04/06/2018 03:00

Quando começou a publicar, o paraibano Cristhiano Aguiar radicado em São Paulo, com longa passagem pelo Recife,  foi escolhido pela Revista Granta-Brasil como o melhor escritor de sua geração. Um título que é mais risco do que prêmio. Até os títulos e os prêmios devem ser comedidos. Começar com uma carga dessa é um perigo. Coloca o escritor, por assim dizer, em confronto direto com o crítico e o leitor.

Mas Cristhiano venceu as dificuldades com muita atenção e maturidade. Aliás, uma maturidade que não é comum na sua idade e, muito menos no tempo de publicação. Sem dar atenção aos anseios de pressa e confirmação, deixou na gaveta – ou no computador – as produções recentes, sobretudo aquelas nascidas da vaidade. Não publicou de afogadilho.

Sem a chamada exposição apressada, somente agora lança a sua obra inaugura - Na outra margem, o Leviatã - que, aliás, confirma as suas melhores qualidades ficccionais num livro de poucas páginas destacando-se a ambientação melancólica e sóbria,  duas palavras muito apropriadas ao texto deste jovem escritor – melancólico e sóbrio em tudo. A obra do contista começa, assim. a ganhar identidade definitiva. As frases criam  um clima de ansiedade e busca com os personagens definindo-se na história, que também não provocam curvas e derrapagens perigosas em enredos mirabolantes. Um defeito muito comum nos iniciantes, que escondem suas dificuldades  em textos nervosos.

Preciso exemplificar para que o leitor entenda melhor tudo que asseguro. É o caso aqui desta passagem sutil de Miniatura, página 15 do livro:

“Deveria ter sido um encontro perfeito. Luana era de uma beleza morena, cacheada, ao som que “paralisa meu momento em que tudo começa”. Pernambucana morava há anos em São Paulo com a avó. Trabalhava como produtora para agências de publicidade, galerias de arte, músicos.

É preciso, também, anotar os nomes leves dos seus personagens, de um modo geral: Loren, Lucas, Lina, que se movem com sutileza e graça. Nomes musicais, sinfônicos. O leitor que procure este livro que faz muito bem a todos, sobretudo pela confirmação deste nome importante. Às livrarias, agora, com a pressa que não prejudica o verbo. Viva...

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.