EDITORIAL » Só o brasileiro salva o Brasil

Publicação: 04/06/2018 03:00

O declínio da economia brasileira, iniciado em 2014, está longe de ser superado. Em 2017, o país entrou, timidamente, em recuperação. Passou a respirar, mas sem fôlego suficiente para chegar à rota do crescimento exigido. As previsões otimistas feitas no fim de ano passado não se sustentaram. O Brasil cresceu 0,4% nos primeiros três meses de 2018, quando o esperado era 1%. A possibilidade de o Produto Interno Bruto (PIB) avançar 3% se tornou impossível. Hoje, a projeção menos pessimista é de o PIB fechará o ano 1,7% maior, pouco mais da metade do previsto pelo governo.

A frágil situação foi agravada pela paralisação, por 10 dias, dos caminhoneiros, que se insurgiram contra a política de reajustes do diesel estabelecida pelo então presidente da Petrobras, Pedro Parente. As contas mais otimistas apontam que o país amargou prejuízos de R$ 60 bilhões, mas, certamente, as perdas foram muito maiores. Como reflexo do impasse entre os transportadores — responsável pela movimentação de quase 75% da produção nacional — e a estatal, o governo terá que desembolsar cerca de R$ 10 bilhões para garantir redução de R$ 0,46 no valor do litro do diesel cobrado em 21 de maio.

Com um rombo fiscal para este ano previsto em R$ 159 bilhões, o Palácio não viu outra opção senão o corte orçamentário na maioria dos programas de investimentos e de projetos sociais, além da reoneração da folha de salários de vários segmentos produtivos, inclusive, a indústria, que vem se arrastando nos últimos anos, sem conseguir dar contribuições robustas à economia. As limitações vão retrair o consumo das famílias beneficiárias das ações governamentais. Diferentemente do ocorreu em 2017, quando foram liberados os saldos das contas inativas do FGTS, o que reaqueceu o consumo e a produção, em 2018 não haverá incentivos, mas restrições.

Hoje, brasileiros desempregados ou subempregados somam 28 milhões, ou quase 30% da População Economicamente Ativa, sem perspectivas concretas de retorno ao mercado de trabalho. Em 2016, 5,9 milhões de pessoas ficaram abaixo da linha da pobreza. Pelo segundo ano consecutivo, a miséria cresceu. O país chegou em 2017 com 22 milhões de miseráveis. Cenário construído pela recessão dos desastrosos anos de gestão Dilma.

O Brasil segue capengando, com espasmos de crescimento, mas nada que consolide um roteiro de avanços. Ao fim, percebe-se que a ausência de um projeto de nação deixa o país sem rumo. As crises políticas impactam a economia e retraem os investimentos nacionais e estrangeiros. Como apostar em um país que não sabe aonde quer chegar e cria políticas ao sabor de ideologias ou pautadas pelo populismo? No Congresso, predomina o “salve-se quem puder”, com a larga maioria dos legisladores sendo alvo de inquéritos pelos mais diversos delitos, o mais presente deles, a corrupção.

As reformas estruturais, indispensáveis ao reequilíbrio fiscal e à recuperação da credibilidade e da confiança no país, foram postergadas pelo Legislativo. A menos de quatro meses das eleições, o foco de deputados e senadores está concentrado na conquista de votantes, para que se mantenham protegidos pelo foro privilegiado.

Os postulantes ao Palácio do Planalto têm se dedicado à troca agressões, no período pré-eleitoral. Nenhum deles faz menção a qualquer proposta concreta para tirar o país do atoleiro. A responsabilidade pela mudança, mais do que em outro período da história republicana, está nas mãos dos eleitores. Caberá a cada brasileiro avaliar e reavaliar os candidatos e dar o seu voto aos que realmente têm proposições factíveis para que o Brasil se torne uma nação desenvolvida e com menos desigualdades sociais e econômicas..

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