Um povo refém...

Jaime Xavier
Mestre em Administração de Negócios pela COPPE %u2013 RJ. Sócio-Diretor da XConsult %u2013 Consultoria Empresarial. Sócio-Diretor Comercial da Sabor Saudável Produtos Alimentícios

Publicação: 01/06/2018 03:00

É lamentável o que se verificou no nosso país, fruto do movimento paredista levado a efeito pelas empresas e profissionais que detêm o controle do sistema de transportes no nosso país. Não podemos admitir que isso se repita!

Para que não reste dúvida, informo que sou favorável a qualquer manifestação que reivindique direitos legítimos, sem distinção de crença política, religiosa, de gênero etc, desde que tais movimentos não provoquem prejuízos à população.

Ninguém no entanto, em sã consciência, pode aprovar a situação absurda e inaceitável, que foi estabelecida pela soma dos erros cometidos ao longo do tempo, desde a transformação do transporte rodoviário, em opção quase única para o transporte de bens e riquezas, e a inaceitável demonstração de fraqueza e  governamental.

Vivemos um momento em que a insensibilidade, a irresponsabilidade, o desprezo e o desrespeito, de um setor oligopolista, soma-se a incompetência e ao desgoverno, para acuar e chantagear toda a população, sem que uma reação efetiva fosse tomada.

Às patéticas entrevistas dos ministros do chamado “gabinete de crise”, sobrevinha o descumprimento dos acordos por parte dos grevistas, em evidente demonstração do interesse em desmoralizar o que estava firmado, provocando, novas concessões e  novas entrevistas,  com informações que mais uma vez traziam um otimismo totalmente fantasioso e sem fundamento, por parte dos representantes do governo.

Nem mesmo ameaças de multas, prisões e confisco de caminhões, tiveram qualquer resultado, demonstrando o quanto é pouco confiável, respeitada e mesmo temida, a palavra dos que administram a nação. Aliás, será que algum de nós acredita que as  sanções prometidas, com pompa e circunstância, virão mesmo a se efetivar?

O pior e o que fica de tudo isto, é o sentimento da falta de autoridade, da falta total de qualquer espírito público e cívico, da ausência do respeito e da certeza da impunidade, tanto dos que provocaram o caos que vivemos, quanto dos que não souberam se preparar e tomar providências para prevenir a ocorrência de situação tão grave.

O povo brasileiro é portanto refém de uma única classe, que decidiu buscar solução para seus problemas através da força bruta, da chantagem e absoluta falta de sensibilidade.

De uma coisa sinto falta nesta circunstância, e pergunto: onde estão os que se proclamam “defensores do povo”, que se dizem ao “lado dos pobres”, que seriam capazes de se “sacrificar” para “garantir o bem comum”, que “morreriam defendendo as bandeira da garantia da liberdade e dos princípios democráticos?” Ou eles acham que liberdade e democracia é isto que aí está, em que alguns, tornam a todos seus reféns?

Onde os discursos inflamados, o exercício da liderança, a postura de defesa forte  dos princípios que garantem direitos e deveres a todos e a cada um? Ou preferem, como parece, mais uma vez apostar no caos, tentando se beneficiar dessa atitude para alcançar seus mais subterrâneos objetivos eleitoreiros?

Por que as bandeiras vermelhas, azuis e amarelas não foram desfraldadas?

Por que falta coragem de se posicionarem efetivamente, a favor do povo. Essa é a verdade!

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