EDITORIAL » O custo da greve

Publicação: 01/06/2018 03:00

Depois de uma semana em que a greve dos caminhoneiros dominou o noticiário veio a constatação de que a economia, embora não esteja parada, segue em passos de tartaruga. O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 0,4% no primeiro trimestre de 2018, comparado ao trimestre anterior, segundo dados divulgados na quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com o primeiro trimestre de 2017, o PIB cresceu 1,2% nos primeiros três meses deste ano. Apesar de parecer um bom resultado, no entanto, o índice reflete desaceleração em relação ao quarto trimestre de 2017, que avançou 2,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Decepciona ainda diante da tão esperada retomada, que insiste em aparecer nos discursos, mas resiste em se confirmar nos números.

O fato é que falta velocidade para escapar da crise, que, a exemplo do que faz a gravidade com os foguetes, mantém em sua órbita todas as tentativas de decolagem dos meios produtivos. Para agravar a situação, a indefinição no cenário eleitoral torna ainda mais densa essa atmosfera. As empresas tentam se manter em movimento, contrariar a forte tendência de retrocesso, mas a perspectiva ainda é de desafio.

A paralisação dos caminhoneiros em todo o país vai deixar sua marca nos números do segundo trimestre. Enquanto para as famílias os reflexos do movimento paredista surgiram sem demora e se apresentaram concretamente, em forma de bombas de combustível secas e bandejas de hortifruti vazias, seus efeitos sobre a economia são mais ocultos e nefastos.

Várias instituições tentam, agora, somar os prejuízos causados pelo movimento e os primeiros números apontam para cifras acima dos R$ 70 bilhões. O agronegócio, por exemplo, que impulsionou os resultados no primeiro trimestre de 2018, foi gravemente impactado pela greve, que comprometeu a operação e impôs sérios prejuízos ao setor, que dificilmente repetirá o desempenho do período anterior.

Um novo resultado contrário à retomada econômica deve apimentar ainda mais a disputa eleitoral, empurrando o tão esperado alívio à responsabilidade do próximo ocupante do Palácio do Planalto. Às empresas caberá a resiliência para superar um  novo período de adversidades. Ao povo, além disso, a sabedoria de escolher quem seja capaz de, efetivamente, acelerar o país.

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