EDITORIAL » A aposta na ciência

Publicação: 29/05/2018 09:00

A inovação e a pesquisa científica no Brasil se destacam no cenário internacional quando há apoio financeiro e vontade política dos governantes, que nem sempre entendem a importância da ciência para o desenvolvimento sustentável, que, em última instância, significa qualidade de vida para a população. O reconhecimento é mundial quando se fala de empresas e instituições como a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), que pode fechar inédita parceria com a gigante do setor, a norte-americana Boeing; o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), entidade de ensino superior pública ligada à Força Aérea Brasileira, responsável pela formação de gerações de profissionais de reconhecida capacidade; e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), desenvolvedora de tecnologia de ponta.

Também merecem destaque os inúmeros centros de pesquisa científica de organismos como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), UnB (Universidade de Brasília), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal do Rio de Janeiro, entre tantos outros espalhados pelo país. O que esses centros de inovação precisam é de apoio irrestrito do governo para que projetos fundamentais voltados para a inovação tecnológica não se percam por falta de verbas.

No caso específico da Embrapa, que comemora 45 anos de atividades, chama a atenção o saldo positivo de suas realizações. A empresa, por meio de pesquisas, tirou o país da situação de importador de alimentos básicos para de exportador e de fornecedor para a população. Os agricultores brasileiros, ao incorporarem a tecnologia à produção do campo, entraram para o time dos maiores produtores de grãos, carne e frutas do mundo.

Os pesquisadores da Embrapa tornaram férteis os solos que eram ácidos e pobres, portanto, com baixíssima produtividade. Com o aumento gradativo da produção nas lavouras, a demanda por mais terras diminuiu de forma significativa. Depois de conseguir tornar o solo próprio para o plantio, os cientistas da empresa se depararam com outro desafio: a adaptação ao clima tropical de espécies originárias de outras regiões do planeta, como a exitosa experiência do plantio do trigo no cerrado. As barreiras foram vencidas e a capacidade de produzir foi ampliada e diversificada.

A ciência brasileira, sempre em busca da inovação, obteve outros êxitos no desenvolvimento e disseminação de tecnologias sustentáveis, disponibilizando novas práticas de manejo do solo e da água, além de insumos biológicos que permitem fertilizar plantações e preservar os inimigos naturais das pragas. Nas lavouras de soja, por exemplo, está sendo adotada técnica revolucionária: a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que favorece o meio ambiente e aumenta a produtividade com baixa emissão de carbono, evitando o desmatamento para o aumento da área de cultivo. Na safra 2016/2017, a redução do dióxido de carbono foi de 65 milhões de toneladas.

As autoridades devem se conscientizar que a atuação de empresas, como a Embrapa, não podem ser afetadas pelo corte de verbas, pois, em última análise, contribuem para a geração de saldo na balança comercial, no aumento da arrecadação e na criação de empregos em todas as cadeias produtivas. A pesquisa científica e a inovação, em todas as áreas do conhecimento, não podem ser interrompidas.

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