José Nivaldo Júnior nos tempos da Lava-Jato

Alexandre Rands Barros
Economista, PhD pela Universidade de Illinois e presidente do Diario de Pernambuco

Publicação: 12/05/2018 03:00

José Nivaldo Júnior lançou recentemente seu mais novo livro, Tudo pelos Ares, Amor e Cólera em tempos de Lava Jato. Um romance com pessoas circundadas por episódios da Lava-Jato em uma trama romântica que possui um toque de surrealismo, mas com muita realidade. Narra bem relações de nossos dias e a psicologia universal do ser humano, em estória que se passa entre Recife, São Paulo e Rio de Janeiro, reproduzindo bem uma cultura de nossa época, mas com um toque romântico ao criar figuras que são fora do comum. A mulher Elisa possui beleza sem igual. JB é detentor de inteligência e habilidades de fazer inveja a personagens de José de Alencar, como os Índios Peri e Ubirajara, ou o popular João Grilo, personagem de Ariano Suassuna. O Máscara de Ferro é capaz de fazer inveja em perversidade ao Coringa, personagem de Batman. Todos eles estão envoltos em trama que cultua o Recife como todos nós pernambucanos gostamos de ver.

É um livro maduro, sem excesso de palavras como ocorre na maioria dos romances, e que prende o leitor ao longo de toda a narrativa. É envolvente. Não queremos parar de lê-lo e ficamos tristes quando acaba. Proporciona uma leitura muito deliciosa. Pode se dizer que é uma obra prima da literatura brasileira atual e que seguramente, juntamente com outros livros do autor, como O Julgamento de Deus, alçará José Nivaldo ao mais alto degrau dos escritores brasileiros. Acho que junto com José Paulo Cavalcanti Filho, ele agora se torna nome forte de nossa terra à Academia Brasileira de Letras, pois não há tantos escritores no Brasil com a qualidade desses dois pernambucanos. Os dois põem Pernambuco em destaque na literatura brasileira atual.

Quem conhece José Nivaldo sabe que ele é um amarelinho magrinho, baixinho, franzino, feio e cabeçudo (não fique com raiva não, Zé, que é só minha opinião. Pode ser que outros tenham opinião diferente). Sendo de Surubim-PE, tem um jeito desconfiado, como nossos homens do sertão e do agreste. Parece mais um personagem de Zé Lezin (Miro, pai de Vicente) ou Ariano Suassuna (João Grilo). Mas assim como nesses personagens, a inteligência e a criatividade brotam com facilidade da sua cabeça. Toda sua obra publicitária bem atesta esse fato. No romance atual, assim como n’O Julgamento de Deus, elas aparecem em cada parágrafo. A forma como ele relaciona a realidade com a fantasia é o testemunho contundente de suas revelações. Aliás, até mesmo na sua versão da realidade essas suas características brotam com muita força. A realidade segundo José Nivaldo é sempre diferente da dos demais. Mas isso não faz dela menos realidade. E é assim que ela se apresenta em Tudo pelos Ares, Amor e Cólera em tempos de Lava Jato.

Ao término da leitura, fiquei tentando imaginar como no futuro os livros escolares apresentarão José Nivaldo na história da literatura brasileira. Eles podem até argumentar que ele foi um escritor robusto, alto, forte, bonito e com a cabeça pequena. Entretanto, jamais poderão negar que foi um mestre em combinar o arcaico com o moderno, seja na forma de ver o mundo ou no próprio desenrolar das narrativas. Seguramente dirão que foi mestre em combinar o surrealismo com o realismo, como se ambos fossem parte de uma mesma existência, assim como temáticas locais com a universal, apresentando o ser humano como tendo características decorrentes do seu momento e local histórico, mas também possuindo atributos que são atemporais e universais. Com esses seus dois últimos romances José Nivaldo Júnior definitivamente carimbou seu nome para a imortalidade. E todos nós pernambucanos ganhamos com isso. Obrigado, Zé.

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