EDITORIAL » As famílias do campo

Publicação: 12/05/2018 03:00

Não é só o agronegócio que se destaca na economia brasileira por sua reconhecida competitividade e inovação tecnológica - o setor é responsável por 48% das exportações do país e por 21,48% do Produto Interno Bruto (PIB). A agricultura familiar ocupa, cada vez mais, seu espaço na produção dos alimentos que vão, diariamente, para a mesa da população. A produção agropecuária das famílias espalhadas pelos mais distantes rincões do Brasil responde, hoje, por mais de 50% da comida comercializada no mercado interno, o que demonstra o acerto dos governantes que acreditaram nesta modalidade de atividade rural. O que não significa perder de vista a importância do agronegócio, vital para a vitalidade da economia.

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento revelam que as pequenas propriedades rurais administradas por famílias respondem por 70% da mão de obra no campo, mais uma mostra da importância da política desenvolvida na área. São 4,4 milhões de núcleos familiares voltados para o cultivo e a criação animal, o que representa 84,4% dos estabelecimentos agropecuários no país.

O último censo do setor, por seu lado, mostra que a agricultura familiar constituiu a base econômica de 90% das cidades brasileiras com até 20 mil habitantes, além de absorver 40% da população economicamente ativa do país. A revelância do setor não se dá apenas no Brasil. De acordo com levantamento da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), nove em cada 10 propriedades rurais no mundo (em torno de 570 milhões) são geridas por famílias, que produzem cerca de 80% dos alimentos do planeta.

Economistas das mais variadas tendências atribuem à agricultura familiar inegável papel social e econômico, por sua extensão e abrangência. A importância econômica deve-se, além do abastecimento do mercado interno, ao controle dos preços dos alimentos consumidos pelos brasileiros, já que mais da metade dos que compõem a cesta básica são produzidos pelos núcleos familiares do campo. Ela também é responsável por garantir a segurança alimentar e a erradicação da fome, flagelo ainda presente em pleno século 21.

Seja qual for o candidato a presidente da República eleito nas eleições de outubro, ele tem de garantir a continuidade dos programas de incentivo à agricultura familiar. O crescimento do setor está intimamente ligado ao incentivo oficial e à possibilidade de o agricultor conseguir aumentar a produtividade através do acesso a canais de comercialização e a financiamentos que permitam novos investimentos nas propriedades. O fomento aos programas não só deve continuar, mas também ser incrementado.

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