Alfaiatarias

Malude Maciel
Membro da ACACCIL

Publicação: 10/05/2018 03:00

A pressa e a comodidade motivaram o surgimento e desenvolvimento da indústria e comércio de confecções. Tanto roupas masculinas como femininas e também infantis são encontradas prontas para usar, em lojas do ramo sem maiores delongas. Pode-se adquirir nos shoppings todo tipo de vestimenta facilitando a vida de inúmeros usuários.

Após a Segunda Guerra mundial as mulheres foram forçadas a trabalhar fora do lar a fim de sustentarem as proles e isso provocou reais mudanças nos usos e costumes sociais; o tempo ficou escasso e buscaram-se alternativas para o dia a dia.

Nos Estados Unidos começou a moda jeans, que logo se espalhou pelo mundo, sendo até agora aceita irrestritamente, mesmo com manchas e rasgões e fabricadas em grande escala seguindo apenas as numerações.

Todavia houve época em que se saía de casa para comprar os tecidos, aviamentos, procurar modelos em revistas (figurinos) e acertar uma costureira que fizesse tudo nos conformes como o imaginado e escolhido. As chamadas “provas” eram as mais demoradas, pois eram muitas e ainda corria-se o risco da peça não ficar nos conformes.

Os enxovais para noivas ou bebês passavam meses e até anos para serem costurados, bordados, com o maior esmero, e carinho, pois normalmente em cada família havia alguém que praticasse essas artes; em cada casa existia uma máquina de costurar, que continua sendo a mola mestra dessa tarefa. Começou manualmente e depois marcas famosas, como Elgin e Singer desenvolveram as elétricas. Fazer o curso de corte e costura era importante e útil a fim de acompanhar as novidades e estilo no feitio de peças para a família ou para fora.

Os homens encomendavam seus ternos (calças, paletó e gravata) de linho branco ou diagonal aos melhores alfaiates da cidade e a concorrência era grande. Lembro da alfaiataria do nosso amigo Tiné.

Meu pai foi alfaiate na conceituada alfaiataria do Sr. Walfrido Nunes, na Rua Dr. José Mariano, e foi de lá, entre linhas e agulhas, que namorou mamãe que morava bem em frente.

Logicamente existe uma elite querendo exclusividade, embora pagando mais caro, prefere estilistas famosos com modelos individuais na alta costura, enquanto as demais são em série duplicadas.

Luiz Gonzaga cantou a moda e os costumes da sociedade regional ao decorrer do tempo e retratou a nobre profissão do alfaiate na música denominada: “Alfaiate do Primeiro Ano”, na qual ele fez verdadeiro sucesso quase humorístico, pois é muito interessante seu show.

Na história dos cangaceiros do Sertão nordestinos há registros de que “cabras machos” como Lampião e seu bando também faziam suas roupas, bornais e outras indumentárias, inclusive com bordados bem elaborados e detalhes artísticos à moda francesa.

São, pois, muito raras as alfaiatarias que permanecem firmes em seu ofício de vestir bem os indivíduos, porém a tendência é alargar a produção de indumentárias populares e acessíveis. Porque até mesmo a alta costura rendeu-se ao mercado de vendas imediatas, como também apareceram secções de aluguéis de roupas para todas as ocasiões.

É a vida em constantes mutações.

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