E o meu direito?

Jaime Xavier
Mestre em Administração de Negócios pela COPPE %u2013 RJ. Sócio-Diretor da XConsult %u2013 Consultoria Empresarial. Sócio-Diretor Comercial da Sabor Saudável Produtos Alimentícios.

Publicação: 10/05/2018 03:00

É indiscutível, até por ser previsto em lei, que todos têm o direito de se manifestar livremente. É também evidente e também previsto em lei, que a todo o cidadão é garantido o direito de ir e vir.

Então, se concordamos que as duas disposições legais acima colocadas são procedentes, não consigo compreender onde está garantido, que haja grupos ou segmentos da sociedade que possam em qualquer ocasião, e por qualquer justificativa, ter os seus interesses priorizados, sem que se considere o prejuízo causado aos demais.

É para mim, no mínimo estranho, vermos bandos de pessoas às vezes composto por pouquíssimos representantes, bloqueando estradas, queimando pneus, ocupando vias e invadindo prédios, sob a complacência e a proteção do Estado e da própria Justiça.

Não entendo bem por que nestes casos, o poder e a Justiça que deveriam servir a todos, passem a proteger somente os que, levando em conta apenas seus próprios interesses e incitados por seus mandantes, e funcionem como suporte a uma parte da sociedade, sem parecer levar em conta os problemas causados à maioria.

Para ser mais explicito, foi isso que me aconteceu há alguns dias, quando presenciei não mais que 20 pessoas, impedirem a circulação, em uma das mais importantes vias de escoamento da Zona Sul da cidade do Recife, sob a proteção e o olhar condescendente de um grande numero de policiais – acho até que havia ali mais policiais que manifestantes.

Onde está então o meu direito, tendo um compromisso com hora marcada, ao qual não consegui chegar. A quem devo responsabilizar por isso? Quem irá responder pelos danos morais e materiais que me foram causados?

Fala-se muito em desigualdade, nas perdas sofridas pelas chamadas “minorias”, termo que de tão abrangente como designação para todos os tipos de grupos, já não sabemos mais a que, ou a quem se referem.

Mas, e a minha “minoria”? A dos que têm e desejam cumprir seus compromissos e obrigações e levar adiante seus negócios e interesses, com segurança e tranquilidade e que, para isso pagam impostos e cumprem suas obrigações para com o Estado?

Talvez fosse um caminho, a adoção de algumas exigências para que, o interesse de uns poucos, não interfira tão irresponsavelmente, na liberdade de ação de muitos, como estabelecer áreas e limites onde estas manifestações possam ser levadas a efeito (parques, praças etc) e utilizar a força pública no controle deste limites e para impedir os abusos e depredações que tantas vezes acontecem nestas ocasiões.

Evidentemente, minha sugestão não diz respeito a grandes movimentos populares, como tivemos ocasião de presenciar há alguns anos, e hoje ainda vemos, independentemente das posições que defendam, mas programados e adequadamente submetidos aos órgãos encarregados de avaliar e autorizar a sua realização.

Talvez, medidas simples como estas, possam de fato e, de forma diferente do que acontece hoje, garantir os direitos de todos, e evitar os prejuízos causados pela ocupação desordenada de um espaço que pertence a todos nós.

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