Navio Carlos Drummond

Luiz Augusto C. Araújo
Prático da barra de Recife e Suape

Publicação: 09/05/2018 03:00

Último dia 28 de maio, foi lançado o décimo terceiro navio da Petrobras, encomendado ao Estaleiro Atlântico Sul. Navio tanque de porte médio, pequeno diante dos que levaram nome de abolicionistas, dos quais o primeiro foi um Panamax “João Cândido”. Aliás sobre o João Cândido, após o seu lançamento e entrega a Transpetro, muito se falou mal dele, inclusive que tinha um casco “troncho” e que dava guinadas para boreste, involuntariamente...

Fato ou versão, a má notícia foi superada a partir do momento que o João Cândido, por vários anos, ter sido eleito o navio mais produtivo da frota, aí incluídos os afretados estrangeiros!

Nós brasileiros temos o péssimo costume de achar nossas coisas inferiores, defeituosas ou frágeis, face a perfeição alardeada pelo primeiro mundo, e a famigerada globalização. As entregas do Estaleiro Atlântico Sul estão sendo efetuadas dentro do prazo estipulado, e o seu vizinho Promar, saiu das mãos de Eike Batista e agora está sob administração norueguesa, e que produz navios de alta tecnologia, como o recente Skandi-Recife, destinado a conexão de mangotes em grandes profundidades oceânicas, nas plataformas.

Os técnicos da Petrobras /Transpetro, o povo dos estaleiros e os petroleiros da Refinaria Abreu e Lima, fazem um excelente trabalho e vestem a camisa da empresa! Nosso diesel-S10 já está nos postos de serviço, e o “ouro negro” refinado em Suape é oriundo da plataforma nordestina! Incrível verdade...

As refinarias dos EUA e da Bolívia causaram enorme prejuízo à empresa brasileira, a de Suape superfaturada pelo PT e Cia, aos poucos se recupera, mesmo sendo ameaçada de privatização “entre amigos”.

O único assunto que não me alegra em Suape é saber que nenhum navio da Transpetro levou o nome do dono do terreno do Engenho Massangana onde o Estaleiro está localizado, propriedade do abolicionista Joaquim Nabuco!

Os soldadores “arrebanhados” nos canaviais, que construíram o premiado “João Cândido”, são os mesmos do “Carlos Drummond de Andrade”. Eu acho muito justo que Joaquim Nabuco, do céu onde está, faça uma homenagem a Drummond, usando sua poesia:

“E agora José?
Quer morrer no mar,
mas o mar secou”...


É tão fácil fazer justiça, algumas vezes... 

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