Um nome para ficar. E para sempre: Ezter Liu

Raimundo Carrero
Escritor e jornalista

Publicação: 07/05/2018 03:00

Ela chegou agora. Faz pouco. Nem deu tempo de arrumar o cabelo. Mas sua sabedoria é antiga. Está nas palavras, nas frases, na solidão dos personagens. Chama-se Ezter Liu e ganhou o prêmio de literatura da Cepe – Companhia Editora de Pernambuco com o livro Das Tripas Coração. Cito o prêmio da Cepe porque já se transformou em láurea profundamente respeitada no mundo literário do país. E porque, através dele, teve o seu livro publicado e muito bem publicado, com um projeto gráfico de qualidade, assinado por Luiz Arraes, que tem feito produções memoráveis.

Mesmo assim, Ezter Liu não é novata. Em 2015, lançou pela  Porta Aberta Editora um livro de poemas, Vermelho Alcalino, que recebeu elogios da crítica especializada. No campo da prosa, porém, Das Tripas Coração é o seu livro de estreia, que agora leio e analiso com entusiasmo. Destaco, por exemplo, a frase bela e firme da autora, a destacar personagens femininas, sobretudo.

“Dona Rosa não sabe que vai morrer ainda este ano antes que o inverno chegue ao fim”, com esta frase surpreendente e ferina começa o conto Deus, que termina assim: “Ela não sabe que as formigas vão devorar a casa ainda este ano antes que o inverno chegue ao fim.” Conto curto recheado de informações que dão incrível leveza a uma espécie de tragédia que se insinua em cada palavra, em cada frase. E as frases de Ezter são assim: com leves sinais de punhaladas a cada instante.

De repente, percebemos que Dona Rosa disputa com as formigas a posição de protagonista. Em outro conto – Fumaça – vamos encontrar outra frase, “o fogo fazia som de espetáculo” – embora se observe aí uma certa influência de Rubem Braga. Sem que isso em nada diminua força de Ezter, um nome para sempre.

Na próxima coluna vou me ocupar de Amâncio Siqueira, de Garanhuns, a cidade dos escritores, antes chamada de cidade das flores, embora ele tenha nascido em Afogados da Ingazeira, também premiado no exemplar concurso da Cepe.

O livro de Amâncio chama-se Nem tudo cabe na paisagem. E reúne, igualmente, vários contos. Vale a pena lê-lo e provarei no artigo.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.