EDITORIAL » Encruzilhada do comércio

Publicação: 07/05/2018 03:00

A importância do fortalecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC) torna-se patente quando nações, como os Estados Unidos, suspendem negociações em curso, como ocorreu esta semana, em relação às exportações do aço e do alumínio brasileiros. O Brasil foi pego de surpresa com a decisão da Casa Branca de aplicar, de imediato, a tarifa adicional de 10% e 25%, respectivamente, em discussão, ou, de forma alternativa, cotas restritivas adicionais. Iniciativa protecionista que vai de encontro às trocas comerciais.

A verdade é que o organismo internacional se encontra numa encruzilhada diante de medidas como a contrária ao Brasil, além da perspectiva de se tornar realidade a guerra comercial entre os EUA e a China. A organização internacional, que vem prestando relevantes serviços à economia global, não pode ser esvaziada pela intransigência de governantes obcecados por medidas protecionistas, que têm o presidente norte-americano, Donald Trump, como figura de proa.

Indiscutível o papel desempenhado pela OMC em prol das relações comerciais globais, como, por exemplo, depois da crise de 2018 desencadeada pela bolha imobiliária nos EUA — praticamente, todas as economias do mundo foram afetadas. Foi a atuação da entidade que impediu a adoção descontrolada de barreiras comerciais, o que traria danos mais sérios à economia mundial. As regras comuns patrocinadas pela OMC evitaram a escalada protecionista que muitos economistas temiam. Vale ressaltar que, desde o início da crise, apenas 5% das importações mundiais foram afetadas.

Os governantes dos países-membros do organismo internacional devem deixar de lado suas ideias protecionistas para que o comércio entre as nações evolua de forma satisfatória para todos os envolvidos. Não se pode perder de vista que o sistema patrocinado pela OMC funciona como garantidor das relações econômicas globais, notadamente nos momentos de incertezas, num mundo cada vez mais conectado. Por isso, é de fundamental importância a manutenção do sistema, já que sem ele a economia do planeta estaria em situação muito pior.

Mesmo com a atuação de governos com políticas protecionistas, este ano entrou em vigor acordo histórico que reduz custos desnecessários e sistematiza práticas aduaneiras em várias regiões do mundo. Acordo que atinge o Brasil, que tem acompanhado as reformas levadas a cabo por todos os integrantes da OMC. Outro importante avanço, inclusive para o Brasil, foi a proibição de subsídios às exportações agrícolas. Ainda no setor agrícola, continuar na pauta de discussão temas como segurança alimentar, limites para subsídios domésticos e maior transparência na adoção de restrições às exportações.

A relevância da OMC pode ser constatada pelo interesse demonstrado por diversos países no debate de qual a melhor forma de promover o comércio eletrônico, a facilitação de investimentos e como incrementar a participação de mais pequenas e médias empresas nas trocas comerciais internacionais. Por tudo isso, os governantes mundiais não podem fechar os olhos para a importância de organização que tem como objetivo final a promoção do bem comum no planeta.

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