Rinoplastia, muito além da estética

Marco Aurélio Cabral
Cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

Publicação: 04/05/2018 03:00

A rinoplastia é o procedimento da cirurgia plástica que tem como objetivo corrigir ou reparar o nariz. A aparência desse órgão é responsável por grande parte da harmonia facial, principalmente devido à sua posição central do rosto. Por isso, alterações no seu formato podem gerar desequilíbrios na estética facial e a cirurgia visa justamente restabelecer esse equilíbrio. Ao longo dos anos, várias técnicas altamente sofisticadas foram desenvolvidas para adequar o formato do nariz às características individuais da face.

Para se ter uma ideia do quanto essa ciência evoluiu, atualmente o cirurgião plástico pode reduzir ou aumentar o tamanho do nariz, alterar a forma da ponta e do dorso, diminuir o tamanho das narinas, refinar a ponta e alterar o ângulo entre o nariz e o lábio superior.

A cirurgia também pode corrigir defeitos já presentes no nascimento, sequelas de traumatismos, rinoplastia prévias e ajudar a resolver problemas respiratórios. Ela pode ser feita a partir dos 16 anos, quando as estruturas ósseas e cartilaginosas do nariz e da face estão plenamente desenvolvidas. Além disso, a partir dessa idade os pacientes possuem melhor estrutura emocional para lidar com a mudança de aparência proporcionada pelo procedimento.

Por se tratar de uma cirurgia complexa é fundamental escolher um médico especialista na área. Existem duas vias de acesso para executar as diferentes filosofias em rinoplastia: fechada e aberta. Na técnica fechada, a cirurgia é por dentro do nariz, sem incisões externas. A visualização limitada e incompleta das cartilagens que formam o esqueleto é completamente exposto através de incisões por dentro do nariz e uma pequena incisão externa na columela (coluna de pele entre as narinas).

Já o emprego da via aberta em casos primários e para corrigir as deformidades do nariz (rinoplastia secundária) oferece algumas vantagens como, por exemplo, a visualização direta e completa do esqueleto que forma o dorso e a ponta do nariz. Além disso, oferece ainda a possibilidade de fixar as cartilagens e enxertos com mais segurança, espaço e precisão, visando combater o efeito de distorção do tecido de cicatrização e das forças respiratórias após a cirurgia. Porém, o emprego da via aberta também possui desvantagem como maior tempo cirúrgico, o inchaço da ponta pode demorar um pouco mais para desaparecer e essa abordagem deixa uma cicatriz externa praticamente imperceptível a uma distância de conversão normal.

Atualmente, é fundamental tentar produzir um nariz ‘’individualizado’’, que combine naturamente com a face e a etnia do paciente. Por isso, antes da cirurgia, um bom especialista em rinoplastia deve realizar estudos matemáticos detalhados das proporções do nariz em relação à face de cada paciente e criar o planejamento cirúrgico baseado nestes resultados e no senso estético. Este sistema evita a produção do ‘’mesmo nariz para todos os pacientes, uma queixa antiga aos que se submetem a esta técnica tradicional.

Desenhos ou simulações computadorizadas podem ser usados como ferramentas educativas para mostrar o que deve ser corrigido e como isto pode ser feito. Por questões éticas, o paciente deve ser informado que os desenhos aprovados não constituem promessa em relação ao resultado. Eles, no entanto, devem ser levados à sala de cirurgia, para servir como referência e ajudarem a oferecer resultados cada vez mais naturais, minimizando a chance de insatisfação estética após o procedimento.

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