Pernambuco, instigantes premências

Mauro Ferreira Lima
Professor da UPE

Publicação: 26/04/2018 03:00

Às vésperas de um novo ciclo administrativo que se iniciará no país e nos estados, Pernambuco encontra-se com instigantes desafios pela frente. A lista é extensa. Aqui destaco aqueles mais prementes. O primeiro deles é o quadro tortuoso do Arco Metropolitano e Miniarco para facilitar o escoamento da produção do polo automobilístico, vidreiro e farmacoquímico de Goiana. O tormento logístico para se chegar a Abreu e Lima persiste firme, sem solução a curto prazo.

Desde 2008, iniciou-se a discussão e o planejamento do Arco Metropolitano que partiria de Abreu e Lima até chegar ao Cabo de Santo Agostinho. Teria um custo de 1,6 bilhão de reais. Um reestudo o comprimiu para 1,3 bilhão de reais. Seria via parceria público-privada (PPP). O projeto foi prejudicado por inúmeros fatores, da crise econômica geral do país a questões de traçado final para sua consecução, incluindo questões ambientais. De lá para cá, passou para o âmbito administrativo do DNIT, quando foi incluído no pacote de concessões do governo Dilma Rousseff. Com o desenrolar da crise, o projeto foi atingido de morte pelos reflexos do horror econômico que se abateu sobre o Brasil.

Diante desse impasse, o governo de Pernambuco partiu para apresentação, também via PPP, de um projeto alternativo que deveria ser concluído no final deste ano de 2018. Um miniarco seria construído no entorno de Abreu e Lima, com a extensão de 14km e a um custo de 180 milhões de reais. Como os prazos não foram cumpridos, e, ainda nada aconteceu para deslanchar esta alternativa, tudo terá que ficar para o próximo governo.

Enquanto o Arco Metropolitano não se concretiza no médio prazo, a solução de emergência terá de ser o miniarco. Esse nó precisa ser desatado. O próximo governo não pode deixar de considerá-lo como prioridade número “um” a ser executada sob pena de continuar sufocando o conjunto de empresas de grande porte como a Fiat (FCA)/Jeep, a Vivix, a Hemobrás e as empresas sistemistas que ali estão e que padecem cotidianamente por conta desta grave falha de logística pública para o exercício de suas atividades.

Outro drama para o estado, é a Transposição do São Francisco. Por enquanto, Pernambuco serve apenas como via de passagem para o abastecimento de cidades paraibanas indo de Floresta a Monteiro. As duas adutoras previstas continuam congeladas. Para o ramal do Agreste e a adutora planejada, que em muito beneficiaria o estado, não se tem previsão de início de qualquer obra.

Além desse, mais um entrave para a economia local: a Transnordestina! Esta, um sorvedouro de recursos públicos que se arrasta desde o início de 2007. Após estourar os prazos de inauguração, o governo acena com 2021 para entregá-la. Após consumir 6,5 bilhões de reais nos 800 km concluídos, necessita de outro tanto para chegar aos 1.728 km do projeto. Resta ao estado, no próximo governo, aumentar a pressão para que se dê continuidade a uma obra tão importante para a dinamização de Suape como escoadouro da produção de grãos e minérios da vasta região cortada pela ferrovia.

Ainda no rol dos “dramas”, dois outros concorrem para complicar o planejamento e o desenvolvimento da economia local: a precariedade do funcionamento pela metade da Refinaria Abreu e Lima e o quadro preocupante da indústria naval pernambucana. Os estaleiros locais, EAS e Vard Promar amargam uma atroz imprevisibilidade para sua continuidade operacional. O novo governo local terá pela frente a responsabilidade desafiadora de conseguir que novas (improváveis) encomendas junto à Transpetro, ou continuar à ferrenha cata internacional de um grupo interessado na aquisição destes estaleiros. Esta é mais uma hipótese tortuosa!

No que diz respeito ao gigantesco affair da Refinaria, após ter acrescido seu custo de 4,5 para 20 bilhões de dólares (sic) será colocada parcialmente à venda pela Petrobras. Mesmo com esta venda se concretizando, a perda do que foi investido deve se situar em torno de 75%! A estas alturas, o importante é mantê-la funcionando e se assegurar a manutenção dos empregos inerentes. Em suma, para o novo governo tratar destes dois temas com a Petrobras será um permanente quadro de estresse.

Como penduricalhos nesse rol de problemas, ainda existem a retomada da autonomia de Suape para ser recuperada e o ‘‘imbróglio’’ da BR 232, trecho até Caruaru. Ali se tem uma deterioração da rodovia a olhos vistos em meio a uma querela judicial que se arrasta há anos. Há que por fim a esse desmantelo com a definição de quem será quem no contexto de sua administração, manutenção e definição de seu futuro em termos de concessão temporária à iniciativa privada para exploração pedagiada.

Nesse emaranhado de desafios, o novo governo de Pernambuco terá que redobrar a resiliência para superar sua crise, atrair novos investimentos e voltar a crescer sustentadamente para persistir “navegando”. Tarefas hercúleas!

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