A morte de Marielle Franco

Moacir Veloso
Advogado

Publicação: 29/03/2018 03:00

O bárbaro assassinato de vereadora carioca Marielle Franco chamou a atenção do Brasil e do mundo para o estado de completa degeneração em que se encontra o Rio de Janeiro. Especialistas acusam o ex-governador Leonel Brizola de, durante seus dois governos (1980 a 1986 e 1990 a 1993), impedir que as polícias Civil e Militar implementassem operações policiais nos morros, propiciando aos criminosos inteira liberdade para agir em território próprio.

Essa leniência de Brizola foi o marco inicial do avanço dos narcotráfico até a situação caótica de hoje. De Anthony Garotinho a Sérgio Cabral, notórios saqueadores do erário público, o Rio de Janeiro desceu ladeira abaixo a rampa da falência econômica, moral, social e política. A outrora cidade maravilhosa tornou-se refém da bandidagem. As estatísticas são assombrosas: média diária de 14 homicídios, 461 roubos de rua, 153 roubos de veículos, 28 de cargas e 22 de estabelecimentos comerciais.

O prognóstico é sombrio e aponta para uma conclusão inexorável: o Brasil está em pleno processo evolutivo para tornar-se um imenso Narco-Estado. Há evidências nesse sentido, tais como a ascensão de figuras políticas suspeitas de ligações próximas com organizações criminosas, milícias e outras hordas de celerados que infestam o país em todos os níveis. A intervenção federal no Rio de Janeiro mal teve tempo de estabelecer-se e por em prática um projeto de enfrentamento à criminalidade e eis que ocorre a execução de Marielle para tocar fogo no que já ardia em chamas.

A morte de Marielle, tragédia quase que anunciada (nas últimas eleições, 14 candidatos a vereador foram mortos na baixada fluminense), infelizmente não chegou a surpreender os observadores do ramo. Ela veio a confirmar o fato de que estamos nos estágios iniciais pelos quais já passaram o México e a Colômbia, décadas atrás. Marielle vinha incomodando facções criminosas, denunciando a máfia dos ônibus, a violência das milícias e a corrupção governamental. Jovem, empolgada e combativa, foi vítima de sua inexperiência e inequívoca honestidade. Marielle foi-se, fez história trágica, mas servirá de estímulo para que outras ou outros assumam o bastão que ela carregava com invulgar coragem e determinação.

A abjeta campanha difamatória com a qual tentaram macular a sua imagem e seu legado não obteve êxito. A verdade sobre quem era Marielle veio à tona e desmoralizou os abutres de sempre. Agora, cabe às autoridades investigarem o crime que abalou a nação e apontarem, o mais depressa possível, quem são os autores dessa barbárie, o que lançará luz sobre os motivos que levaram esses animais  a tirarem a vida de Marielle. Acredito que a completa elucidação nesse caso criminal será decisiva para abrir a caixa-preta das falanges que agem com desenvoltura nos bolsões da criminalidade, encrustados nas favelas cariocas. Isto posto, ao que tudo indica, os criminosos se verão frente a frente com a realidade resultante de grande mal que fizeram no dia em que saíram de suas tocas, armados e decididos a ceifar a vida de uma jovem mãe inocente, que apenas fazia seu trabalho: melhorar o mundo em que vivemos. Adeus, Marielle. Que Deus a tenha em bom lugar.

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