A história na mão

Nagib Jorge Neto
Jornalista

Publicação: 29/03/2018 03:00

Na noite de 22 de março foi marcante o ato de reverência e celebração a Geraldo Vandré que voltou ao palco de um teatro para cantar a composição Caminhando - Pra não dizer que não falei de flores – que fez história em 1968, época dos festivais, e nos últimos anos faz parte da luta do nosso povo como canto de resistência. Era um hino nos movimentos contra a ditadura e permanece atual nos atos contra as violações ao Estado de Direito, as liberdades e garantias individuais, que vêm sendo atacadas pela campanha da mídia fascista, das redes sociais e segmentos do poder judiciário.

A volta de Geraldo Vandré, na sala de concertos Maestro José Siqueira, foi uma homenagem do seu estado à sua história e sua arte. O evento resultou de um convite do governador Ricardo Coutinho que Vandré aceitou depois de ter atendidas todas as suas exigências – o local do recital, as músicas, a entrada franca, nada de cachê, cabendo ao estado somente a organização e divulgação. Os ingressos acabaram em menos de  20 minutos.

No ato, Geraldo Vandré agradeceu ao secretário de Cultura Lau Siqueira e equipe, ao governador Ricardo Coutinho, a amigos, familiares e à pianista Beatriz Malnic que destacou como expressão e sentimento de suas novas composições. Antes de cantar e encantar, Geraldo Vandré – agora com 82 anos – apareceu no palco vestido de branco tendo ao lado Beatriz Malnic com um vestido vermelho.

Então recitou alguns poemas, todos bonitos e polêmicos, num estilo fluente e enigmático. Depois cantou com Beatriz que em seguida executou composições ao piano – seis peças compostas para concertos. Após o silêncio, sob intensos aplausos, a Orquestra Sinfônica da Paraíba e o Coro Sinfônico - regência do maestro Luis Carlos Durier – fizeram uma bela releitura de Caminhando com o público acompanhando em alguns momentos. Logo depois Vandré anunciou que ia cantar apenas mais uma canção – A minha pátria. Junto de Beatriz, com a voz firme e forte, marcou presença e expectativa. Diante da exigência do público, Vandré voltou ao palco e começou a cantar, como há meio século, a sua bela e emocionante Pra não dizer que não falei de flores.

Beatriz veio em seguida e juntos formaram um dueto que cresceu com as vozes e gestos das seiscentas pessoas que lotavam o auditório da sala de concertos do Espaço Cultural José Lins do Rego, do governo da Paraíba. Antes de sair agradeceu a  todas e todos e o público gritou “Fora Temer”por um minuto. Vandré foi para o camarim, mais uma vez com A História na Mão e a Crença - Quem Sabe Faz a Hora, Não Espera Acontecer.

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