A geografia das águas em Pernambuco

Luiz Ernesto Mellet
Gestor governamental da Secretaria de Planejamento de Pernambuco

Publicação: 07/03/2018 03:00

Para encontrar os motivos da Zona da Mata ser tão suscetível a inundações é necessário conhecer um pouco a geografia do estado. O planalto da Borborema fica ao leste, o planalto do Jatobá, ao sul, e a noroeste, a chapada do Araripe. Esses altiplanos desenham uma espécie de muralha natural no epicentro do território pernambucano.

Nas grandes altitudes, a temperatura cai aumentando a umidade e densificando a vegetação. Então, os aquíferos esborram da superfície formando pequenos vulcões borbulhantes. Daí surge os nascedouros que se transformam em cursos de água límpida escorrendo para as baixas altitudes. De modo que o planalto da Borborema funciona de berçário de rios e, também, de divisor de águas do espaço fluvial de Pernambuco.

Por conta das características do relevo, os olhos d’água aparecem nos rebordos orientais do Borborema, se avolumam e seguem em córregos no sentido leste e sul. Por fim – depois de muitas opilações pelo caminho – acabam convergindo para a Zona da Mata e a região metropolitana onde despejam a água, irreconhecivelmente imunda a essa altura, no mar.

Mesmo imorredouros certos rios têm o curso intercalado por trechos ora perenes, ora não. Sem sobressaltos, vertem suas águas mansas na maior parte do ano até a costa. Mas esses rios melindrosos, de trajetória não perene, vez em quando se rebelam provocando cheias catastróficas. Sobretudo na temporada de chuvas. Entre fevereiro e agosto.

Outros rios funcionam como grandes repositórios de água. Os principais são os reservatórios do São Francisco, Jucazinho, Carpina, Tapacurá e Pirapama. A esses se juntam o Moxotó e  o Ibimirim, no Sertão. Eles abastecem as atividades humanas e agropecuárias de Pernambuco. Já o na região metropolitana o abastecimento é feito por Tapacurá e Pirapama que servem também na contenção de enchentes, do mesmo modo que as barragens de Jucazinho, Carpina e de Serro Azul.

Como se vê, ainda que magra, a geografia de Pernambuco agrupa num espaço estreito muitas bacias hidrográficas, mas a maioria infelizmente não possui mais rios perenes e se acha degradada.

Apesar de apresentarem porções de menor abrangência, as bacias situadas na Zona da Mata – em razão das alternâncias climáticas a que estão expostas – têm maior volume de água. Daí um dos motivos pelos quais, sobremaneira durante as tempestades tropicais, as cabeceiras se enchem espraiando água para tudo que é lado, alagando a aplainada superfície dos tabuleiros costeiros causando grandes estragos.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.