EDITORIAL » União barra a violência

Publicação: 27/02/2018 03:00

A qualidade dos serviços públicos, com impacto direto na vida de cada pessoa, não depende, exclusivamente, dos órgãos de governo. Ações colaborativas e controle social fazem muita diferença. Em Brasília, moradores do Lago Norte, um dos bairros nobres da capital, criaram uma rede de proteção entre vizinhos e, em parceria com a Polícia Militar, conseguiram reduzir o número de ocorrências. O modelo foi inspirado em programa semelhante existente em Belo Horizonte de 2005. Os vizinhos usam aplicativos, como o WhatsApp, para se comunicar e acionar os policiais ante situações suspeita.

A Rede de Vizinhos Protegidos, nome dado à iniciativa, está se espalhando e chegou a mais três bairros do Distrito Federal. Em um deles - Setor Habitacional Taquari, contíguo ao Lago Norte -, há cerca de um ano não registra de tentativas de furtos a residências, o que é atribuído à interatividade entre moradores e entre eles e a polícia.

O exemplo de Brasília, importado da capital mineira, cabe em qualquer cidade do país e vale para a maioria das políticas públicas. Conter a violência e viver em paz é desejo da maioria dos brasileiros. Todos temem que o ambiente conflagrado das comunidades de periferia do Rio de Janeiro chegue próximo a sua casa. Mas também têm medo da polícia. Não à toa. A letalidade policial é algo assustador no país. Entre 2009 e 2016, 21.892 pessoas morreram em ações policiais, segundo o 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

As forças de segurança, por sua vez, não têm capacidade para dominar todos os territórios e evitar as agressões ao patrimônio e às pessoas, por maior que sejam os contingentes da PM e da Polícia Civil. O cidadão é quem conhece os reais problemas que afetam o local em que vive. Se a comunidade se organiza e estabelece novas relações com órgãos de governo, a construção das soluções será mais fácil, com resultados positivos.

Mas parceria não vale só para a segurança pública. Deve se estender à educação, à saúde, ao saneamento básico e a outros setores indispensáveis à melhoria da qualidade de vida. O controle social e a decisão coletiva de levar o Estado a implementar ações necessárias à superação dos problemas depende muito mais dos cidadãos do que da burocracia estatal. Hoje, tais iniciativas contam com marcos legais que asseguram a participação de representantes da sociedade nos conselhos gestores de políticas públicas. É assim na educação, na saúde, na execução de grandes obras, com impacto ambiental.

Porém, a maioria dos cidadãos não se dá conta da sua importância no processo de transformação do país. Atribui a responsabilidade exclusivamente ao Estado ou reclama da inépcia dos governantes e de políticos. Esquece que o poder de pressão coletivo é o caminho para que as ações do setor público sejam convergentes com as demandas da sociedade.

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