Síndrome de Burnout

Laura Areias
Jornalista e escritora

Publicação: 22/02/2018 03:00

Nascer é participar de uma sociedade que espera de nós cooperação. Uma responsabilidade que cada um traz e carrega enquanto segue o ritmo da existência.

Sendo assim, fugir dela é uma covardia, uma forma de reação inglória.

Lembremos uma frase de Winston Churchill, “O sucesso é a capacidade de ir de fracasso em fracasso sem perder o ânimo”. Pensamento que traduz os problemas do existir. O fracassar é uma prova do cotidiano, enfrentá-lo é crescimento do eu interior e este dá-nos o que nós normalmente resumimos na palavra sucesso, ou, pelo menos, contemporização dos fatos ocorridos.

Dar fim antecipado ao viver é uma comodidade sem valor, nem interpretada como ato digno de louvor.

As civilizações atuais cobram demasiadamente a quem trabalha e o excesso de responder a essas cobranças causa depressões e incompreensão ao labor diário. Aqui é que está a distância do conhecimento que o homem tem e o atuar do decorrer do tempo.

Acompanhemos o desenvolvimento, mas não o abracemos pela categoria classificada e sim, visemos ao nosso interior, inteligência, sobretudo ao real.

Inúmeras vezes as múltiplas realizações e ações que o continuar dos dias nos traz, faz com que a indecisão nos absorva e esta atitude é um benefício, pois afasta da loucura do estresse e joga a mente em outra avaliação. Entretanto há a acrescentar a carga emocional trazida dos nossos antepassados, o que está comprovado na parte física humana. Se a mãe tem câncer, a filha tem muitas probabilidades de o ter também.

O receio é tal que vimos Angelina Jolie amputar os seios como prevenção a um câncer futuro. Isto num país onde a medicina é avançada.

Sempre se conclui que a Síndrome de Burnout é uma realidade do século, a qual deve ser estudada e evitada. A competição, a exigência de eficiente, a necessidade de cobrança monetária no diário, a escolha de trabalho inadequado aos conhecimentos de cada um, a repetição dos objetivos do trabalho, tudo termina em depressão. Uma das profissões mais atingida é o professorado, principalmente, quando fica sempre com as mesmas classes, ou acompanha os mesmos alunos. Isto comprova a exatidão da pesquisa nessa área que conclui: “119 professores da rede pública, 70,13% apresentam sintomas de Bournout, 85% sentem-se ameaçados em sala de aula”. Uma prova é vermos essas pessoas vivendo nas consultas médicas por sentirem dores e ineficiência em diversos órgãos.

Detenhamo-nos em enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, estes tem normalmente contato direto com pacientes e familiares que estão em estado de nervosismo, em ânsias, tudo isto atinge o psiquismo de cada um. Também a autonomia profissional não compreendida como melhoria, ocasiona desconforto, levando ao tédio à inapetência.

Trabalhar é essencial, aliado à realização pessoal. Atualmente, tudo é tecnologia e a inteligência, a memória, as partes cerebrais que recebem as correspondências das nossas atividades onde estão? Ninguém se detém nesta máxima. Como conseqüência tem os suicídios, o desinteresse pelos trabalhos, o tédio, até o cinismo.

A conclusão é a síndrome de Burnout apresentar efeitos negativos para o indivíduo para a profissão, e sobre tudo para a organização onde ele exerce a atividade.

As coisas poderiam modificar-se se a organização utilizasse medidas preventivas do estresse crônico. As organizações deverão conscientizar-se desse problema e decidir evitá-lo com medidas adequadas à mente humana. Alerta que o Brasil adotou em 6 de maio de 1999, com o Decreto nº 3048, aprovando o Regulamento da Previdência Social, com seu Anexo II que trata dos Agentes Patogênicos causadores de doenças profissionais. Especifica mais no item XII da tabela de Transtornos Mentais e de Comportamento Relacionados com o Trabalho.

Já são passados dezenove anos e os mesmos casos permanecem e mais avolumados, exigindo atenção e definição obrigatória, para que o trabalhador não entre em depressão, tédio, enfim em desajuste de si próprio ao meio que o cerca ou ultrapassa esta fase desistindo de viver como uma fuga ao desespero interior do não encontro social.

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