Heleníssima

Maria Dulce Pinheiro Lins de Rangel Moreira
Advogada

Publicação: 09/02/2018 03:00

Helena para muitos, Heleníssima para o amigo Marco Antônio Vilaça, fez 90 anos. Comemorou sem alarde, junto a sua grei, mantendo seu bem mais precioso: o sorriso iluminado e que ilumina. Sorriso de amor. Desde pequenininha, escuto “ser fiel ao amor é ser feliz”, palavras de Padre Daniel Lima, em seu casamento em 1950. Amiúde, amigos e anônimos até, enaltecem sua beleza exterior, seu sorriso, e seus cabelos azuis-prateados - imaginem, então, quem conhece sua beleza interior!

Mulher elegante, caridosa, educada e culta: desde cedo, influenciada pelo irmão diplomata ministro Heitor Pinto de Moura, leu os clássicos. Admiradora fiel de seu professor de Latim José Lourenço de Lima e frequentadora de cursos de poesia, na APL sobre Louise Labé, Prévert, Lou Salomé e Florbela, sobre as quais discorre saborosamente. Orgulhosa de ser de 1927, ano de ilustres pernambucanos Francisco Brennand, Aloísio Magalhães, Ariano Suassuna. Mocinha se apaixonou por papai (João Pinheiro Lins) e se encantou pelo Direito (embora formando-se em Pedagogia), ela e sua primeira máquina de escrever Triumph vermelha, modelo Perfekt, suas assessoras e fiéis escudeiras jurídicas, desde os tempos de namoro. Lembranças me levam a vê-los sempre, pesquisando e trabalhando no escritório da nossa casa do Parnamirim, madrugada a dentro. Uma dupla jurídica “danada de boa” com a qual aprendi o sentido da honestidade, ética, retidão e justiça.

Amante de sua terra Pernambuco, mocinha, morou na Conde da Boa Vista, quando se chamava Rua Formosa, onde também morava Clarice Lispector. Faz questão em transmitir seu conhecimento sobre fatos históricos ocorridos no Recife, alguns vividos ou estudados no seu amado Colégio São José. Conta ter visto, em 1930, o Zeppelin por nossa cidade e cita a comparação feita por Ascenso Ferreira: “Parece uma baleia se movendo no ar”.

Em 2009 escrevi pequeno artigo sobre papai, publicado no Diario de Pernambuco em 18 de julho, no qual celebrei algumas de suas qualidades, mas não pude deixar de revelar um de seus defeitos – ser alvirrubro. Agora, a bem da verdade, aqui não posso dizer que mamãe não tenha defeitos, entretanto, uma única qualidade tem o condão de absolver todos os defeitos: é uma rubro-negra de coração!

Se bem que tenha o mesmo nome, ela não é uma Helena de Constantinopla - mãe do imperador romano Constantino, conhecida por Santa Helena, que segundo a tradição cristã descobriu o local da crucificação de Jesus -, nem tampouco, uma Helena de Troia, (mulher que deu início a uma guerra por sua beleza), mesmo que eu, como filha, acredite vislumbrar algumas semelhanças entre elas – a fé, beleza e altivez incontestáveis.

Minha mãe é Helena Pinheiro Lins, simplesmente uma Helena Heleníssima!

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