Fake news: somos nós os responsáveis...

Jaime Xavier
Mestre em Administração de Negócios pela COPPE %u2013 RJ e sócio-diretor da XConsult %u2013 Consultoria Empresarial

Publicação: 07/02/2018 03:00

Muito se fala atualmente e claro, se vai continuar a falar a respeito das fake news, um fenômeno que cresceu bastante com as ultimas eleições para presidência dos Estados Unidos e que certamente ocupará um grande espaço nas nossas próximas eleições.

Como de hábito, os órgãos governamentais já começam a descobrir formas para identificar e punir os responsáveis por esse tipo de ação, o que me parece pouco eficaz.

O problema a meu ver, como sempre acontece com toda intervenção repressora que se pretende fazer é que, por mais que  se criem mecanismos e limitações para impedir a sua circulação, elas não deixarão de existir por força de lei, mas apenas se mudarmos o nosso atual hábito de pensarmos, mais com a “cabeça do dedo”, do que com o cérebro.

É impressionante o numero de pessoas que conhecemos e vemos em todos os locais onde vamos, que substituíram a boa leitura de jornais sérios, os livros e mesmo as discussões e o hábito de conversar, pelo manuseio isolado de um celular, do qual passam a extrair todas as informações e além disso contribuir para divulga-las sem fazer qualquer avaliação ou análise do que recebem e passam adiante.

Pior ainda, é que as assumem como verdade absoluta e passam a utiliza-las como fundamento para suas próprias colocações, nas poucas ocasiões em que ainda se permitem relacionar-se e discutir seus pontos de vista.

A origem do fenômeno portanto, é fruto muito mais da perda continua dos nossos valores, da pobreza das nossas bases culturais atuais e da nossa cada vez maior ignorância sobre assuntos que deveríamos dominar, por sua influencia direta em nossas vidas.

O homem, único ser pensante do planeta, transforma-se em um ser sem opinião ou vontade própria, por pura preguiça de raciocinar e de questionar as informações/comandos que recebe, e passa a agir cada vez mais impulsivamente, e menos utilizando os poderosos mecanismos de racionalidade e de capacidade critica de que é, naturalmente portador.

É nessa onda que surgem os ídolos fabricados, os mitos criados para enganar as massas, os profetas do apocalipse, os exploradores da boa fé e os focos de disseminação da ignorância, que tanto interessam aos aproveitadores de oportunidades, para lançar-se como salvadores da humanidade, ou como redentores da Pátria.

Tome cuidado portanto com as mensagens estranhas e sem identificação que recebe ou lê. Considere-as irrelevantes e pouco confiáveis por principio. Quem quer enganar, sempre se esconde atrás de conselhos ou de chamados para participar de alguma forma de multiplicar ideias. Não se deixe transformar em “inocente útil”, servindo a interesses que você sequer conhece quais são.

Só desta forma, em minha opinião, o fenômeno tão temido das fake news, será tão menos relevante e capaz de nos influenciar, quanto qualquer mentira que nos seja contada por outros meios. Pense com seu próprio cérebro, forme seus próprios conceitos. Não multiplique mensagens sobre as quais tem duvidas ou com as quais não concorda e aproveite pra parar de “encher o saco” dos infelizes que aceitaram participar da sua “rede de contatos”.

Fake news sempre existiram, nós é que temos de ter inteligência para desmascará-las.

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