EDITORIAL » Combate à hanseníase

Publicação: 05/02/2018 03:00

Homens na faixa etária entre 20 e 49 anos são o público prioritário da nova campanha do governo federal para combater a hanseníase no país. Trata-se da parcela da população com maior número de casos diagnosticados. Em 2016, do total de 25.218 registros novos da doença no Brasil, 13.686 (54,2%) foram na população masculina. Desses, 6.233 (45,5%) foram diagnosticados na faixa etária de 20 a 49 anos. A hanseníase é uma doença crônica, cuja transmissão se faz por via respiratória, pelas secreções nasais ou pela saliva. Afeta pele e nervos periféricos e pode causar incapacidades e deformidades físicas, responsáveis pelo estigma e discriminação.

Outro público prioritário da campanha é o idoso, por se tratar de um grupo com alta taxa de detecção de casos novos com grau dois de incapacidades físicas causadas pela hanseníase. Do total de novos casos, 3.422 (25%) estavam na faixa etária de 60 anos ou mais. O lançamento da Campanha Nacional de Luta Contra a Hanseníase aconteceu em Belém, no Pará, terceiro estado com maior registro de casos novos.

Em primeiro lugar estão Mato Grosso e Maranhão. Com o slogan Hanseníase: Identificou. Tratou. Curou, busca alertar para os sintomas da doença, estimular a procura pelos serviços de saúde e mobilizar profissionais de saúde na busca ativa de casos para favorecer o diagnóstico precoce, o tratamento oportuno e a prevenção das incapacidades.

Apesar de não serem alvos principais da campanha, as pessoas menores de 15 anos também exigem atenção. Isso porque, em 2016, dos 2.885 municípios que diagnosticaram casos novos de hanseníase no Brasil, 591 diagnosticaram nessa faixa etária. Do total, 1.696 (6,72%) eram menores de 15 anos e, o mais grave, 7.257 (28,8%) iniciaram tratamento com alguma incapacidade física. Especialistas afirmam que a prevalência de hanseníase em crianças é indicativo de um alto índice da doença em uma região.

Em 2008, o Diario de Pernambuco produziu o caderno especial Hanseníase: uma doença milenar ameaça novas gerações, das repórteres Marcionila Teixeira e Sílvia Bessa. O material, vencedor do prêmio Esso de Jornalismo, revelava a gravidade da contaminação entre menores de 15 anos em vários estados do Nordeste.

Com duração de três anos (2017 a 2019), o projeto Abordagens inovadoras para intensificar esforços para um Brasil livre da hanseníase acontece em 20 municípios dos estados do Maranhão, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí e Tocantins. Todos apresentam elevado número de casos novos em crianças, um dos critérios da seleção. A ação é do Ministério da Saúde em parceria com a Opas/OMS, Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL), Movimento de Reintegração das pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e apoio da Fundação Nippon do Japão.

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