EDITORIAL » Inovação necessária

Publicação: 03/02/2018 03:00

A falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para melhorar a inovação pode levar o país a perder o que lhe resta de competitividade na economia global, o que, certamente, comprometerá o crescimento sustentável da economia nacional. Não há mais tempo a perder para investir maciçamente em inovação, pois o Brasil está vergonhosamente atrás de países como Grécia, Malta, Tailândia, Marrocos, Tunísia, Irã e Turquia, mesmo sendo a nona maior economia do mundo, de acordo com dados do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI) referentes a 2016.

Apostar em inovação é o caminho para que a indústria brasileira possa competir em condições de igualdade no mercado mundial. O fraco desempenho em itens como aplicação de recursos em P&D, presença de alta tecnologia, concentração de pesquisadores, registro de patentes e participação de novos graduados em ciência e engenharia na força de trabalho deixou o Brasil de fora do ranking dos 50 maiores do mundo, hoje liderados pela Coreia do Sul, exemplo de nação que destinou nas últimas décadas vultosos recursos em educação e desenvolvimento científico.

Medidas para incentivar a inovação devem, urgentemente, ser colocadas em prática pelo governo, a começar pela regulamentação do Código Nacional de Ciência e Tecnologia, aprovado em 2016, mas que continua em discussão no Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. Especialistas acreditam que com o novo código haveria a aproximação entre a geração de riqueza do país e a produção intelectual voltada à inovação. Sem as novas regras, os investimentos de empresas e startups em parceria com as universidades ficam travados, pois ainda dependem de tramites burocráticos, como licitação, para se concretizar.

Iniciativas como a implementação do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, e o BH-TEC — Parque Tecnológico de Belo Horizonte, na Pampulha, devem ser disseminadas pelo território nacional. Os dois polos de inovação foram criados com o louvável objetivo de abrigar, sob o mesmo guarda-chuva, empresas que se dedicam a investigar e a produzir tecnologias e centros públicos e privados de pesquisa e desenvolvimento. É a iniciativa privada caminhando com as universidades para o desenvolvimento de uma economia mais inovadora.

O Brasil vem sistematicamente apresentando baixa performance quando o assunto é inovação, mesmo com os parques tecnológicos já existentes. Quadro agravado pela recessão que assolou o país nos últimos tempos e que afetou profundamente as universidades públicas e institutos de pesquisa. O certo é que está nas mãos dos governantes e da iniciativa privada a adoção de um amplo programa voltado para a inovação para que o país possa competir satisfatoriamente no mercado global.

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