EDITORIAL » Energias renováveis

Publicação: 02/02/2018 03:00

Diante das previsões nada otimistas sobre os efeitos do aquecimento global e, consequentemente, do efeito estufa, a sociedade brasileira deve se mobilizar para que o país possa desenvolver, cada vez mais, sua capacidade de produzir energias renováveis, como a solar, eólica, bioenergética e em pequenas centrais hidrelétricas, entre outras. Já passou da hora de o governo, com o setor privado, envidar todos os esforços no desenvolvimento de um programa nacional para o setor, pois, dessa forma, o Brasil criará as condições de se inserir no grupo dos principais participantes desse mercado.

O país deu fundamental passo para se tornar referência na área ao aprovar o processo de adesão à Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena, na sigla em inglês), organismo de abrangência mundial criado para proporcionar assessoramento sobre políticas concretas e facilitar o desenvolvimento e a transferência de tecnologia. Ao se dispor a participar da entidade — que atualmente conta com 152 países-membros e 30 emvias de aprovação —, o Brasil, certamente, tomará a dianteira na produção de energia não fóssil, que tantos males traz ao meio ambiente.

O importante é que, com a decisão de participar da Irena, o país se coloca no centro das discussões mundiais sobre a expansão das chamadas energias verdes, contraponto às energias ditas sujas. Isso é primordial para que o mercado brasileiro prossiga com seu programa de inserção de renováveis em andamento, e que deve merecer todo o apoio governamental, no sentido de incentivar a iniciativa privada a participar, ativamente, no desenvolvimento de uma economia sustentável e preservacionista.

Especialistas como Luiz Augusto Barroso, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), chamam a atenção para os benefícios, com a adesão ao Irena, para o crescimento da energia solar na matriz energética nacional. “Especificamente para a fonte solar fotovoltaica, trata-se de uma enorme oportunidade de mais aprendizado sobre modelos de negócios, regulação e novas estruturas comerciais.”

Inquestionável é que, a cada ano, cresce a participação de energias limpas no mercado, com a rápida mudança dos sistemas tradicionais, por causa de investimentos emnovos projetos de geração alternativa que já superaram em capacidade os de combustíveis fósseis. Para exemplificar, em2016, dos 162 gigawatts (GW) de energias adicionadas ao sistema, 60% vieram de fontes renováveis. Importante ressaltar que os leilões de todas as tecnologias de geração de energias renováveis são mais baratos e devem continuar com preços mais baixos do que os fósseis.

Hoje, o Brasil tem todas as condições de se tornar um dos mais destacados geradores de energia limpa do mundo, o que o colocará na dianteira do desenvolvimento da economia sustentável. O aquecimento global já vem provocando danos consideráveis em todo o planeta. Se medidas concretas como a produção de energias não poluentes não forem colocadas em prática com urgência, a população mundial lamentará as consequências num futuro próximo, e o fim das fontes de energia suja deve ser perseguido sistematicamente.

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