Tolerância religiosa: Vamos praticar?

Pedro Eurico de Barros e Silva
Secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco.

Publicação: 31/01/2018 03:00

Não é de hoje que o culto às verdades absolutas tem alimentado o mundo de ódio e extremismo. A insensatez da intolerância nega a pluralidade humana, ignora o diferente, a diversidade, e cerceia os direitos fundamentais do cidadão, pulverizando na contramão o radicalismo e o espírito subversivo nas pessoas. O assunto ganha ainda mais evidência quando nos reportamos à liberdade religiosa, este mês lembrada no Brasil com mais força pelo Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21/01).

É fato que a crença do ser humano já integra a sua identidade. Não podendo, assim, ser hostilizada a troco de nada ou de interesses individuais. Dados do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, evidenciam a forte prática de discriminação religiosa no país e mostram que de 2015 até junho de 2017 foram registradas cerca de 1.500 denúncias de violações religiosas envolvendo desrespeitos, xingamentos, agressões e destruição de templos. Uma lástima para um país que deveria ser laico não só no discurso e no papel, mas, especialmente, na prática.

A religião é um fenômeno íntimo e de incontestável importância na vida dos brasileiros, podendo - e devendo - se manifestar de inúmeras maneiras. Mas o grande desafio ainda reside no combate ao preconceito e a segregação, infelizmente muito latentes no nosso povo. Historicamente discriminadas, as religiões que mais sofrem com a incomplacência são as de origem africana, como a umbanda e o candomblé, que mobilizam cerca de 3,1 milhões de brasileiros. Em novembro doano passado, cristãos também foram atacados em um claro ato de intolerância religiosa, quando a imagem de Nossa Senhora das Graças foi incendiada na Serra das Russas, em Gravatá.

Em um país miscigenado como o Brasil, a repressão e a ignorância não podem ser consolidadas como mero aspecto cultural. Não há nada mais ultrapassado. Assim como os governantes, as escolas e as famílias têm papel fundamental na educação das crianças e jovens, fortalecendo a tolerância, o respeito às diferenças e a valorização das tradições nacionais.

Em Pernambuco, a convivência pacífica dos diferentes credos tem sido uma preocupação do governador Paulo Câmara. A Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos vem atuando na área com a Coordenadoria de Igualdade Racial, cujo objetivo é promover o respeito como a melhor maneira de suprimir a intolerância religiosa e eliminar essa visão excludente da nossa população. A premissa é de que todos têm direito a garantias básicas como dignidade, justiça e, claro, liberdade religiosa.

Intolerância é a matriz do ódio e o ódio é o fogo da violência. Intolerância religiosa também é crime e denúncias de violações podem ser feitas através do Disque 100 ou da Ouvidoria da SJDH pelo telefone 3182-7607.

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