Essas festas do espírito

Luzilá Gonçalves Ferreira
Doutora em Letras pela Universidade de Paris VII e membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicação: 30/01/2018 03:00

Em meio a todo tipo de desastres, – faça sua lista – coisas acontecem atestando que a vida sempre tem razão, como escrevia Rilke. Choveu no sertão, o calor recifense vez em quando é amainado por quase tempestades que tornam verde a grama das praças e fazem florescer os flamboyants à beira do canal. Em Casa Forte, os jasmins laranja se cobrem de buquês brancos e em meu jardim, como a cada ano, uma trepadeira roxa de repente alegra a vista, ao lado do manacá, cujas flores de cor azul e branca surpreenderam Piso e Marcgrave, no tempo de Nassau. Lições de esperança, a natureza ainda confia em nós. Na semana passada, bela festa marcou, em Garanhuns, a posse de quatro novos membros da Academia de Letras da cidade: salão cheio de rostos atentos e sorridentes, amigos e intelectuais chegados para nos abraçar e ouvir nossos testemunhos de amor à bela cidade das sete colinas e das flores, que nos viu nascer, e sob a batuta do eficiente presidente Luis Jardim e do seu  eficaz colaborador, o vice-presidente Manoel Neto. A Academia Pernambucana de Letras se fez representar por sua presidente, Margarida Cantarelli, por Lucilo Varejão Neto e por Lourival Holanda, também representando o reitor da Ufpe, Anisio Brasileiro, filho da cidade. Outra grande festa empossou ontem a nova diretoria da Apl, reconduzida para assumir por mais dois anos os destinos da entidade, que inaugura este ano o Museu da Casa Pernambucana. Financiado pelo Bndes, também financiador da recente restauração dos prédios da Academia  e visando uma  maior inserção da Academia na comunidade, (o que vem acontecendo há mais de um ano, com centenas de visitas organizadas de particulares, turistas de várias partes do Brasil, grupos de ONGs diversas, escolares, estudantes universitários}, esse projeto, orientado pelo museólogo Albino Barbosa, sonhado e arquitetado em parte por Mauro Mota e Valdenio Porto, faz parte do programa da Apl para 2018. Facilitará a abertura das portas da entidade ao grande público, com organização de encontros semanais ou mensais, de escritores e membros da Academia, com artistas, pesquisadores de diversas áreas de atuação, cineastas, produtores culturais, com a abertura da biblioteca da entidade a brasileiros ou estrangeiros: uma vasta e bela tarefa. Essa festa da posse agraciou os premiados nos Concursos Literários da APL, relativos a 2017,  entre eles o historiador George Cabral, com ensaio sobre O Comércio Negreiro na Praça do Recife (1660-1760) e o teatrólogo e animador cultural Manoel Constantino Filho, com A menina que vendia rosas encarnadas. A noite comemorou os 117 anos da Academia e terminou com homenagem à cultura  pernambucana: apresentação especial do compositor Getulio Cavalcanti, do Bloco das Flores, do Bloco Lirico Carnaval Poeta. E  com o lançamento da Revista da APL, número 46, dirigida pelo poeta Paulo Gustavo. PS. angustiado, a quem achou os originais do meu romance sobre Simoa Gomes, a fundadora de Garanhuns, extraviado na alegria da festa de nossa posse: por favor entregue este trabalho que me ocupou quase três anos, a Luis Jardim ou a Manoel Neto, na Academia de Letras de Garanhuns. Agradecidíssima.

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