Tecnologia precisa fazer sentido para as organizações

Paulo Magnus *
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Publicação: 29/01/2018 03:00

A transformação digital é uma revolução para a Saúde. Ela representa não apenas a digitalização de processos, mas também mudanças profundas na forma como os serviços são entregues. É preciso ser inovador, disruptivo, preditivo, sem esquecer que estamos falando de vidas. E cuidar delas deve ser a missão acima de todas as demais.

Para quem pretende empreender na Saúde, em meio a tantas mudanças, um dos primeiros desafios é o cenário econômico. A crise ainda impacta o setor, embora o mercado já apresente melhora. Isso se reflete, por exemplo, no número de beneficiários de operadoras de Saúde, que voltou a subir no segundo semestre de 2017, segundo dados da Associação Nacional da Saúde Suplementar (ANS) – em outubro, o número de indivíduos com plano de Saúde no Brasil teve alta de 85,3 mil pessoas em relação a setembro, alcançando quase 47,4 milhões de brasileiros. Além disso, outros fatores a se considerar são o aumento de investidores interessados em promover fusões e aquisições na Saúde e o crescimento das startups, focadas, especialmente, em produzir aplicativos para auxiliar tanto gestores quanto pacientes.

O segundo desafio é a mobilidade. Desenvolver um aplicativo para smartphone pode até parecer fácil, mas, para que ele seja efetivo, e não apenas um brinquedinho tecnológico, precisa auxiliar o dia a dia da organização, o monitoramento de pacientes em grupos de risco ou a prática das medicinas preventiva e preditiva, apenas para citar alguns exemplos.

Eu acredito, e já falei disso muitas vezes por aqui, que o futuro da Saúde está na preditividade, mas ela também deve ser encarada como o terceiro desafio para quem quer investir no setor. Para que o relógio que se usa durante uma corrida possa identificar alterações nos batimentos cardíacos e impedir um infarto, não basta portar o dispositivo: o gadget tem de estar integrado a uma plataforma tecnológica que integre outros dados, como aqueles provenientes do sistema de gestão do hospital, onde constam informações sobre o histórico de Saúde dos pacientes, exames realizados, etc. A partir do cruzamento de informações, a plataforma poderá emitir alertas sobre possíveis episódios de dano a vida da pessoa. Sem essa integração, a efetividade da inovação como apoio ao diagnóstico e tratamento gera muita expectativa, porém, pouca efetividade.

O quarto desafio também tem relação com as medicinas preventiva e preditiva e, mais ainda, com o futuro da Saúde no Brasil: o envelhecimento populacional. O aumento no número de idosos – que deve chegar a 66,5 milhões de pessoas, ou 29,3% da população em 2050, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – favorece a expansão das doenças crônicas e, consequentemente, a ocorrência de eventos de alta complexidade. Estratégias que levem em consideração esses fatores devem ser traçadas desde já, pois as organizações de Saúde precisam estar preparadas para esse aumento da demanda.

O quinto e último desafio principal para quem quer empreender em Saúde é profissionalizar a gestão e tornar a tecnologia da informação (TI) estratégica para o negócio. Gestão, aliás, deve ser um dos pontos de maior atenção para as organizações brasileiras, já que, sem ela e suas metodologias, a administração é empírica, improvisada, dificultando o alcance de resultados financeiros e a melhora do atendimento ao paciente.

Para uma boa gestão, a TI estratégica é essencial. É ela quem auxiliará os gestores a transformar os dados armazenados nos sistemas em insights de negócios, com uso de ferramentas como big data, analytics e inteligência cognitiva. Afinal, de nada adianta acumular dados sem saber o que fazer com eles. Eles se tornam ainda mais importantes a partir do momento em que permitem traçar cenários futuros e antecipar demandas de atendimento, favorecendo o paciente acima de tudo.

Empreender na Saúde precisa ainda de uma mudança de cultura que permita colocar o paciente no centro do negócio. Ele é o interessado no serviço - e também o principal termômetro da qualidade. Com essa estratégia em mente, é possível transformar cada um dos desafios aqui citados em oportunidade.

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* Presidente da MV

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