EDITORIAL » Entendimento em vez de muros

Publicação: 29/01/2018 03:00

Durante a campanha eleitoral de 2016, o então candidato à Presidência dos Estados Unidos Donald Trump anunciou que, se vitorioso, ergueria um muro na fronteira com o México. O intuito era barrar a migração e impedir que os mexicanos concorressem no mercado de trabalho com os norte-americanos. Ou seja, a criação de uma reserva de mercado de empregos para os norte-americanos, sem brechas para os estrangeiros em busca por oportunidades nos Estados Unidos.

Em seu primeiro ano à frente da Casa Branca, completado dia 20 último, o magnata vem ancorando suas decisões em um dos principais slogans de campanha: “America first” (os EUA em primeiro lugar). Na semana passada, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o líder americano avisou que os Estados Unidos não vão tolerar práticas anticompetitivas e exigiu um comércio legal mais justo. O “mais justo” significa relações comerciais que favoreçam os interesses norte-americanos, que, hoje, têm como principal concorrente a China.

A pressão de Trump pode enfraquecer a Organização Mundial do Comércio (OMC), criada para arbitrar divergências entre os países nas relações comerciais. A instituição trabalha para ampliar os acordos multilaterais, o que enfraqueceria o protecionismo, algo que não interessa à atual política econômica dos EUA.

Em posição oposta, a chanceler alemã, Angela Merkel, trabalha para romper com as reservas exageradas de mercado, que dificultam o comércio entre os países. O multilateralismo, para Merkel, significa avanço e estímulo ao crescimento. Ela tem razão. As reservas levam ao comodismo e, num cenário tão tecnológico quanto o atual, a falta de competitividade implica prejuízos a curto prazo.

Por mais que um país tenha que colaborar para o crescimento do setor produtivo, nos seus mais diversos segmentos, é preciso evitar que benefícios fiscais e tributários impliquem acomodação e atraso. No Brasil, por exemplo, a alíquota do Imposto de Importação não deixa de ser uma barreira, em muitos casos, para blindar as empresas nacionais da concorrência estrangeira.

Na prática, há uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo em que impõe aos brasileiros o consumo do que é produzido no país, também garante uma tranquilidade quase letárgica que afasta as unidades dos avanços que ocorrem no mercado externo. O risco levar essas empresas à morte é muito alto, o que agravaria o drama do desemprego e todas asconsequências sociais que daí decorrem.

As ações de Trump podem parecer muito boas para os norte-americanos. Mas não podem ser entendidas como receita global e, menos ainda, radicais, como em nações fechadas. Sem desprezar as empresas e ajudá-las no crescimento, o ideal que é nã haja barreiras. Em vez de construir muro, é preciso que os governantes construam entendimentos.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.