O monitoramento de aves migratórias e a segurança dos aviários de Pernambuco

Carlos Antônio Ribeiro Ramalho Júnior *
opiniao.pe@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 26/01/2018 03:00

Em janeiro de 2017, pela primeira vez, foi detectado um foco de influenza aviária (IA) na América do Sul. As aves infectadas estavam em um plantel de perus de engorda, em uma granja na região de Valparaíso, no Chile. Por causa disso, medidas estão sendo tomadas para evitar que o vírus chegue ao Brasil, o que poderia levar à suspensão das exportações brasileiras de frangos, ovos e derivados.

Por isso, estão sendo intensificadas as ações de vigilância epidemiológica, tanto para a (IA) quanto para a doença de Newcastle (DNC), especialmente nas localidades onde são registradas passagens de aves migratórias, reconhecidos pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA). No caso de Pernambuco, a Coroa do Avião, em Itamaracá, e o Arquipélago de Fernando de Noronha. Em 2017, foram visitadas, nessas localidades, 67 propriedades, das quais foram coletadas 409 amostras. Enviadas para análise laboratorial, todas apresentaram resultado negativo para a IA/DNC.

A preocupação sanitária é também uma forte preocupação econômica. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de carne de frango, com um mercado de mais de 50 países. De acordo com dados fornecidos pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a receita cambial das exportações brasileiras de carne de frango (produtos in natura e processados) acumularam alta de 5,7% em 2017, com uma movimentação de US$ 7,236 bilhões, frente a US$ 6,848 bilhões em 2016.

O estado de Pernambuco é o quarto maior produtor nacional de ovos e o oitavo no ranking dos produtores de frangos do Brasil. É líder no Nordeste, com um faturamento de R$ 3,4 bilhões por ano, e uma produção média de 10 milhões de ovos/dia e de 14 de frangos milhões/mês. Os dados da Associação Avícola de Pernambuco (AVIPE) mostram que essa produção se dá 40% da Zona da Mata, 50%, no Agreste e 10%, no Sertão. Ao todo, são 150 mil empregos em todo o estado.

Considerando os altos valores e o número de empregos envolvidos, a preocupação com a manutenção dos mercados ultrapassa os limites das propriedades rurais da cadeia produtiva de frango e ovos, e atinge o monitoramento de todo o ecossistema. O processo de globalização redobra as exigências sanitárias para os países exportadores, pondo em permanente desafio a missão de garantir o abastecimento com segurança e saúde para as populações.

Por isso, é obrigatória a notificação de suspeita ou ocorrência de doença listada na Instrução Normativa 50/2013, do Ministério da Agricultura, por parte de qualquer cidadão, especialmente para profissional que atue na área de diagnóstico, ensino ou pesquisa em saúde animal. Todos os cuidados desenvolvidos no âmbito do Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) colocaram o Brasil em um patamar ímpar: nunca houve qualquer registro de Influenza Aviária no território brasileiro – o único país com este status dentre os grandes produtores avícolas.

Como meta para os próximos anos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), por meio da Superintendência em Pernambuco (SFA-PE), vem exigindo o registro de todas as granjas comerciais, de corte e postura, perante os órgãos de fiscalização estadual. Os estabelecimentos, além do registro, devem se adequar fisicamente às exigências sanitárias estabelecidas no Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA).

Até o próximo mês de fevereiro, mais de 90% destas granjas devem estar registradas. Caso a granja não se registre, será proibida de repovoar os aviários, saindo, então, da cadeia produtiva. Os proprietários de granja precisam realizar o telamento e adotar medidas de biosseguridade previstas do PNSA. O telamento dos aviários precisa ser feito até agosto e consiste na criação de uma barreira física para evitar entrada de aves estranhas ao plantel, que poderiam carrear o vírus da IA para as aves comerciais.

Pernambuco conta hoje com mais de 1.600 granjas de produção. Desde o ano passado, uma articulação entre a SFA-PE e a atual diretoria da Avipe tem assegurando que os proprietários das granjas tenham conhecimento das exigências e que possam implantá-las o quanto antes em seus estabelecimentos.

* Superintendente Federal de Agricultura em Pernambuco

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.