EDITORIAL » País refuta a radicalização

Publicação: 26/01/2018 03:00

As instituições nacionais são sólidas o bastante para não se curvar a ameaças como as disparadas por figuras de proa do Partido dos Trabalhadores (PT) e movimentos sociais a ele atrelados, depois da confirmação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os apoiadores de Lula não conseguirão seus questionáveis intentos ameaçando parar o país por meio da desobediência civil, com a paralisação das ruas, como chegou a bradar o senador fluminense Lindbergh Farias. Parlamentar que, esquivando-se de suas responsabilidades cívicas, chegou a afirmar não acreditar mais “na via institucional” para resolver pendências nas mãos da Justiça.

A decisão unânime dos três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) foi classificada pelos petistas como uma “farsa judicial”. No entanto, há consenso entre juristas de renome de que o julgamento dos magistrados foi extremamente técnico. Ao ampliarem a pena imposta a Lula pelo juiz Sergio Moro, condutor da Operação Lava-Jato, de nove anos e seis meses de prisão para 12 anos e um mês em regime fechado, demonstraram, inequivocamente, que todo o processo contra a estrela maior do petismo correu estritamente dentro da legalidade, sem qualquer injunção política.

Na realidade, a confirmação da sentença de Moro e ampliação da pena por um tribunal de segunda instância contribui, e muito, para o desmantelamento da tese de que está em curso, no país, uma perseguição política a Lula, desde a sua primeira condenação pelo juiz de Curitiba. Diante dos fatos adversos a eles, os apoiadores do petista elevaram o tom do discurso e atacam o Poder Judiciário – ressalte-se que todos os questionamentos da defesa no TRF-4 foram refutados dentro de preceitos estritamente jurídicos.

As propostas de radicalização levadas a efeito por seguidores do ex-presidente não contribuem para a normalidade da vida democrática. É difícil para eles aceitarem que o PT sofreu uma das maiores – senão a maior – derrotas de sua história, com a confirmação da culpa de Lula no caso do triplex do Guarujá. E não podem esquecer que o presidente de honra de seu partido é réu em outras ações judiciais, como a do sítio em Atibaia reformado por empreiteiras, a de favorecimento à Odebrecht no BNDES e a Operação Zelotes, de venda de uma medida provisória para prorrogação de incentivos fiscais para montadoras de veículos.

A postura de enfrentamento do PT e aliados, colocada em prática antes do julgamento do recurso à sentença de Moro, dificilmente encontrará eco na sociedade. O país não parou depois da decisão do TRF-4 e a Lula só resta apelar aos tribunais superiores, conforme reza a Constituição. Nada o coloca acima da lei, nem sua popularidade e liderança. De nada adianta radicalizar posições, pois a população anseia por um ambiente de tranquilidade e paz, em que a recuperação da economia possa avançar, o desemprego cair a níveis civilizados e o país ter dias melhores.

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