A Sociologia tem nome e sobrenome: Sebastião Vilanova

Raimundo Carrero
Escritor e jornalista

Publicação: 08/01/2018 03:00

Conheci-o quando comecei a visitar livrarias para comprar os primeiros livros no começo da década de 60 do século passada. Recebia-me sempre com habilidade; afinal, eu era apenas um menino que cascavilhava estantes e prateleiras em busca das palavras iniciais Conversávamos e ele indicava autores. Tinha início a aventura literária.

Estou falando do mestre Sebastião Vilanova, o ex-seminarista que recebia os clientes  na Livraria Editora Nacional, na Rua da Imperatriz, Boa Vista, nem de longe ainda antecipando aquele que se tornaria autor de um dos compêndios da Sociologia ou das Ciências Sociais mais estudados nas Universidades brasileiras e latino-americanas. Mesmo assim conversava com todos e fazia indicações valiosas.

Encontrei-o depois no Departamento de Extensão Comunitária, da Uuniversidade Federal de Pernambuco, onde passamos a trabalhar sob o comando de Ariano Suassuna, e na Companhia de Leda Alves. Deslocou-se depois para o Instituto Joaquim Nabuco, criado por Gilberto Freyre e presidido por Fernando Freyre, onde pôde praticar, de forma mais intensa, a Sociologia, autor de um compêndio largamente estudado em centros de estudos do Brasil.

Durante os anos de estudo e ensino também compunha muito, sobretudo para ilustração de peças teatrais a convite de Hermilo Borba Filho para o Teatro Popular do Nordeste, onde nos encontramos muitas vezes, em meio a uma ou outra cerveja, porque também tenho formação musical, dedicando-me ao clarinete e ao sax-tenor.

É claro que nunca trabalhamos em música, até oorque não sou compositor, e mantinha-me afastado do teatro, sem qualquer ligação funcional, digamos. Por toda essa contribuição ao teatro, Villa Nova ece como personagem de romances de Hermilo Borba  Filho, sobretudo em Deus no Pasto, que fecha a tetralogia Um Cavaleiro da Segunda Decadência.

Houve ainda um largo período de ausência, quando ele foi estudar na Univerdade de Chicago, onde permaneceu por um ou dois semestres, imagino. Por esta época, nossos encontros eram na Livro 7 e eu já estava me preparando para participar do International Writting Program, na Univerdade de Iowa, também nos Estados Unidos, em 1990. Depois, passamos a colaborar com artigos para este Diário de Pernambuco. Estivemos juntos pela última vez durante almoço neste DP a convite do então superintendente Luís Octávio  C avalcante.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.