Velhos canalhas

João Bosco Tenório Galvão *
bosco@tenoriogalvao.com.br

Publicação: 02/01/2018 03:00

Não se deixe enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também envelhecem, disse Rui Barbosa. Cabelos brancos não conferem dignidade nem respeito, o que vale é o histórico, são os exemplos do viver a formarem o respeito entre os pares. Tenho amigos dos quais me orgulho, neles confio, não poria as mãos às brasas pois não acredito em milagres, acredito em pessoas.

O brasileiro tem a mania do perdão. É cheio de sorrisos. Pensa que abaixo da linha do Equador não existe pecados, pelo menos os mortais. Recentemente a imprensa derramou-se em razões humanitárias pela prisão de um notório ladrão octogenário que, diga-se, não tem cabelos brancos pois os pinta num afã de seduzir belas e jovens mulheres de aluguel. DEUS me perdoe, só consigo compaixão pelas mulheres do Presídio Bom Pastor, na sua maioria mães de filhos de quem sabe e do talvez, de quem são apartadas após seis meses de lácteo convívio. Em grande número são vendedoras de drogas buscando o custeio de seus vícios e a mitigação famélica ou ladras de bijuterias para se enfeitarem e dos jovens pretos e mulatos do Aníbal Bruno, delinquentes de pequenos e graves delitos enfeitiçados pelos hormônios da belíssima idade. Esses e essas precisam de urgentíssimo indulto. As injustiças são mais que evidentes. A grande maioria de nossos presos são pretos, pardos, morenos e pobres. Tem menos de 25 anos. São desempregados. Céticos de esperanças. Aos céus lançam pragas pois são cientes que o inferno é aqui e agora. As diferenças sociais com raízes seculares, pois tëm origem na escravidão, são mantenedoras da grande violência urbana que aterroriza o Brasil em seus quatro cantos. A corrupção generalizada rouba os recursos que poderiam ser usados em programas de inclusão social. Só um desses velhos ladrões locupletou-se em mais de um bilhão de dólares... Imaginem o total apropriado pela coletividade larápia de colarinho branco. Não há país que aguente, não há sociedade que não se desintegre, pois o tecido social tem limites à sua manutenção íntegra. Já assistimos em alguns estados da federação a falta de recursos para manter o aparato de segurança do Estado. A experiência mostrou o retorno à idade da pedra, da lei do mais forte, com saques, roubos e assassinatos numa escala sem precedentes como se vivêssemos numa sociedade sem lei nem rei. A desordem financeira decorre da incompetência irmã gêmea da corrupção. Generalizando-se tal desordem não tenho dúvidas quanto ao futuro da nossa unidade nacional, pois onde falta pão sobra confusão. As medidas de modernização das estruturas administrativas do Estado e uma luta constante e eficaz contra os malfeitos e malfeitores da vida pública são urgentes, pois o Brasil encontra-se no limite de sua existência como nação. Ou cresce com justiça ou desagrega como Estado soberano. Quem viver verá. * Advogado

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