Perspectivas 2018

Alexandre Rands Barros *
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Publicação: 30/12/2017 03:00

Apesar de todas as amarguras de 2017, próximo de seu fim, as pessoas começam a se preocupar com as perspectivas para 2018. Como economista tenho a satisfação de sempre responder às indagações que surgem nesses dias de fim de ano com a boa nova de que muito provavelmente teremos um 2018 bem melhor do que 2017. O PIB brasileiro deverá crescer mais de 3% em 2018, tendo crescido apenas 1% no ano que finda. Com maior afrouxo monetário, haverá mais emprego e mais vendas no atacado e no varejo. As exportações deverão continuar seu ritmo, também contribuindo de forma decisiva para o crescimento nacional. Até o setor imobiliário deverá passar por uma retomada nas vendas. O PIB de Pernambuco, de forma semelhante ao brasileiro, já tendo crescido em torno de 2% em 2017, deverá crescer pouco mais de 3% em 2018, próximo ao que se verificará no país. Aqui a economia também será puxada pelas vendas no comércio. Mas os serviços suplantarão as exportações na componente de demanda local. Somente riscos políticos sérios de extremismos nas eleições poderão ameaçar o desempenho da economia brasileira e de nosso estado.

Pernambuco contará com uma retomada da construção da refinaria Abreu e Lima, que teve sua conclusão interrompida. É possível que agora ela seja concluída e possa mais do que dobrar a produção de derivados de petróleo em nosso estado. Além disso, novos investimentos serão dirigidos ao estado, que vão desde a fabricação de munições, passando pela expansão de investimentos em energia solar e atingindo até o setor sucroalcooleiro. A melhoria creditícia também trará a população de volta ao mercado, agora com menos receio de perda de emprego. Por tal, as vendas deverão ser retomadas com mais desenvoltura do que agora no final de 2017. As perspectivas de boas chuvas também permitem vislumbrar alívios na situação do setor agropecuário e mesmo crescimento da produção no campo.

A política, contudo, ainda está indefinida. O desencanto da população tem feito opções populistas extremistas saltarem como factíveis nas próximas eleições. Lula, se não construir pontes com mais segmentos sociais e insistir no atual discurso radical, poderá ser uma opção populista extremista. Bolsonaro já é uma opção dessa natureza. Acredito que Lula convergirá para o centro recompondo sua aliança política e Bolsonaro definhará ao longo do ano. Mas se isso não ocorrer, aí sim, o crescimento econômico começará a ser prejudicado. O surgimento de uma opção mais de centro forte poderá reduzir a probabilidade dessas soluções extremadas virarem apostas sociais. Obviamente a aprovação da reforma da previdência em fevereiro já será uma demonstração de maturidade do nosso povo e que dará mais credibilidade a resultados eleitorais responsáveis. A demissão desse Marun da articulação política do governo também contribuiria bastante para reduzir a probabilidade do eleitorado enveredar pelo radicalismo populista. Pois já estamos cansados e irritados com a postura de desrespeito à nossa dignidade pelos políticos, que esse Marun já protagonizou no processo de cassação de Eduardo Cunha, de forma bastante cínica. Agora ele assume publicamente que vai conduzir a articulação política do governo na mais escandalosa forma do toma-lá-da-cá, tão condenada pelo povo brasileiro. Esse verdadeiro estupro que o Governo Temer impõe ao povo brasileiro, mantendo esse cidadão como ator importante na política nacional, poderá conduzir a população para os braços dos extremistas e com isso comprometer a retomada. Ou seja, o caminho da retomada está pavimentado, cabe ao Governo Federal não o estragar com suas opções que gerem simpatia por extremos.

* Economista, PhD pela Universidade de Illinois e presidente do Diario de Pernambuco

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