EDITORIAL » Um retrato sem maquiagem

Publicação: 30/12/2017 03:00

O Brasil tem 11,8 milhões de analfabetos. São cidadãos com mais de 15 anos incapazes de ler um texto ou escrever um bilhete. O número mostra a dificuldade do país em seguir um planejamento. O Plano Nacional de Educação (PNE), lei sancionada em 2014, prevê a erradicação do analfabetismo. Zerar o número de iletrados seria feito por etapas. Em  2015, cairia para 6,5%. A meta não saiu do papel. Impede-se, assim, a mobilidade social e perpetua-se a exclusão. Outros dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2016 também mostram outros problemas. O Brasil universalizou o acesso à escola na década de 1990. Na ocasião, 97% das crianças se matriculavam na idade certa. A lógica sugere que elas cheguem ao fim da linha. Não é o que se observa. Quase 25 milhões de jovens de 14 a 29 anos não estudam. Mais da metade da população (51%) a partir dos 25 anos têm apenas o ensino fundamental completo e 26,3% concluíram o ensino médio. Só 15,3% receberam o diploma do curso superior. O retrato da educação deixa clara a existência de falhas no percurso que precisam ser corrigidas. Há estatísticas que ajudam a chegar ao diagnóstico. A Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), que mostra se a criança se alfabetizou na idade certa, apresenta resultado preocupante: 55% dos alunos são reprovados em leitura e matemática. O Pisa, exame aplicado em70 países para avaliar as competências em leitura, matemática e ciências de estudantes de 15 anos também mostra um retrato ruim do Brasil: o país ficou em 59º lugar em leitura,em 63ºem matemática e em 66º em ciências. O país abriu as portas das salas de aula para todos, mas não lhes abriu a porta do conhecimento. O estudante vai à escola, mas não aprende. Daí  a repetência e a evasão. O desafio: manter a criança na escola até os 17 anos (faixa etária de matrícula obrigatória). Para tanto, impõe-se melhorar a qualidade do ensino, o que passa necessariamente pela melhora da qualificação e da remuneração dos professores. Enquanto o magistério for carreira socialmente desprestigiada, não atrairá talentos para suas fileiras. Para fazê-lo, as pessoas precisam ser mestres por opção, não por exclusão. Uma alternativa é incluir o professor na elite do funcionalismo público, a carreira de Estado.

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